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Recife usa centro multidisciplinar para tratar microcefalia

2016-10-24 noticia

O atendimento aos bebês com microcefalia no Recife tem como unidade principal o Núcleo de Desenvolvimento Infantil (NDI), centro responsável pelo trabalho de reabilitação das crianças. Lá, o vínculo entre mães e bebês é estimulado, fator considerado pelos médicos como imprescindível para a evolução das vítimas da má-formação.

O serviço funciona na Policlínica Lessa de Andrade. Ele é composto por ambulatório multiprofissional especializado em desenvolvimento infantil. As crianças recebem estimulação sensoperceptiva e psicomotora e, com as mães, têm acompanhamento pediátrico e neurológico. Passam ainda por especialistas em terapia ocupacional, fonoaudiologia, nutrição, assistência social e psicologia.

"A estimulação precoce é o que vai ser o diferencial para o desenvolvimento cognitivo, motor e social", diz a diretora da Policlínica, Priscila Ferraz, contando que os pacientes chegam ali encaminhados pelas maternidades e pelos postos de saúde públicos.

A dona de casa Crislayne Cristina, de 19 anos, foi ao núcleo com o filho Pietro Rafael, de 10 meses, encaminhada por um posto de saúde. Após meses de tratamento, ela se diz feliz com a evolução do filho. "Pietro não sentava e agora senta. Espero que, com a evolução do tratamento, ele possa falar, andar, estudar, jogar bola e trabalhar."

Os especialistas do núcleo trabalham em conjunto com outra equipe, a do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (Nasf). Os bebês e suas mães passam por sessões de 30 minutos por especialidade.

Atualmente, 53 crianças do Recife são acompanhadas pelo NDI, como é o caso do filho da dona de casa Alexsandra Maria da Silva, de 35 anos. Ela é outra mãe que notou a evolução do filho - Diogo Ercílio Silva dos Santos, de 10 meses. "Ele levanta a cabeça, olha para as pessoas e abre as mãos. Antes ele não fazia nada disso."

Diogo vai ao núcleo às sextas-feiras. Passa pelo terapeuta ocupacional, pelo fisioterapeuta e pelo fonoaudiólogo. Uma vez por mês, a consulta inclui a avaliação de um neurologista e de um pediatra. "O nosso objetivo é estimular as etapas motoras da criança. Aquelas com problemas neurológicos têm atraso do sistema motor. Daí a importância de fazer o máximo de atividades para estimular esse sistema", diz a fisioterapeuta Valéria Barros.

Terapeuta ocupacional do NDI, Consuelo Figueira diz que o afeto das mães no início da vida dos bebês é a parte mais importante para a continuidade do trabalho. "O olho no olho da mãe com o bebê é fundamental." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

Manaus tem 4.147 casos confirmados de zika, diz boletim epidemiologico

2016-10-21 noticia

1 casos aguardam confirmação ou descarte.
Registros em grávidas somam 1.187, aponta levantamento.

Dos 5.929 casos notificados de zika emManaus desde dezembro do ano passado, 4.147 foram confirmados e 1.751 descartados. Trinta e um aguardam confirmação ou descarte. As informações fazem parte do boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), na quarta-feira (19).

De acordo com a Semsa, os casos registrados em grávidas somam 1.187, sendo 459 confirmados, 712 descartados e 16 em investigação.

Ainda segundo o boletim, 29 casos suspeitos de microcefalia foram notificados em recém-nascidos, com 12 confirmações e, destas, apenas duas com relação confirmada com o zika vírus. Outras 11 suspeitas foram descartadas após exames e seis permanecem em investigação.

A Visa Manaus realizou até agora 1.745 inspeções em locais de alto risco para a proliferação do mosquito e efetuou 112 autuações a proprietários de terrenos e edificações.

O serviço de Disque Saúde, que funciona pelo número 0800 280 8 280, recebeu 5.342 denúncias sobre focos do mosquito.

Fluxo de viajantes pode aumentar a ocorrencia de percevejos de cama, alerta Instituto Biologico

2016-10-20 noticia

O aumento no trânsito de viajantes pode resultar em algo nada desejado: percevejos de cama, ou bed bug. Se no passado esses pequenos insetos eram encontrados, principalmente, em ambientes de pouca limpeza, hoje eles correm o mundo em malas e roupas. Com a proximidade dos Jogos Olímpicos Rio 2016, o Instituto Biológico (IB-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, alerta como identificar a ocorrência desses insetos. O IB é um dos poucos institutos de pesquisa no Brasil que se dedica a estudar a praga e realiza o monitoramento dos percevejos de cama por meio de um questionário online, que pode ser respondido no sitehttp://www.biologico.sp.gov.br/artigos_ok.php?id_artigo=181

O percevejo de cama é considerado uma praga reemergente no Brasil. Sua ocorrência era comum na década de 1960, principalmente, em pequenas estalagens, onde os viajantes passavam a noite, e em residências mais pobres. Na década de 1990, a ocorrência se restringia a albergues de pessoas de rua, favelas e prisões e estava, geralmente, associada aos ambientes de pouca limpeza. “O uso de inseticidas clorados para controle de vetores da doença de Chagas e febre amarela promoveu, paralelamente, o controle do percevejo de cama”, explica Ana Eugênia de Carvalho Campos, pesquisadora do IB.

Com o passar dos anos, os percevejos de cama voltaram a ser registrados em vários países devido à proibição desses inseticidas clorados por moléculas menos tóxicas ao homem e ao ambiente e as novas tecnologias de aplicação. “Os Estados Unidos, países da Europa e Austrália foram os primeiros a relatar a reemergência do inseto há 15 anos, aproximadamente. Além da mudança no controle da praga, houve aumento significativo das viagens internacionais, o que facilitou a dispersão do inseto para novos continentes, com o agravante de suas populações estarem resistentes ao principal grupo químico utilizado para seu controle, o piretróide. Os primeiros relatos no Brasil ocorreram em 2010”, afirma Ana Eugênia.

Grandes eventos como os Jogos Olímpicos Rio 2016 podem facilitar o fluxo dos percevejos, daí a importância dos viajantes e hotéis estarem preparados para lidar com a praga. Segundo a pesquisadora do IB, os percevejos de cama podem ser levados junto com roupas ou bagagens e há a possibilidade de um hóspede infestar um apartamento de hotel, caso ele traga o inseto. “Os percevejos de cama não ficam na pessoa, mas escondidos em suas roupas e bagagens. Sabendo disso, os hotéis precisam estar atentos ao problema”, explica.

O Instituto Biológico monitorou, por meio de questionário, a ocorrência de percevejos de cama antes e depois da Copa do Mundo 2014 e não registrou aumento nos casos. “No entanto, quanto mais pessoas viajam, mais chances há de ocorrerem novas infestações”, afirma.

IB monitora percevejos de cama no Brasil

O Instituto Biológico monitora desde 2012 os percevejos de cama no Brasil, por meio de um questionário que pode ser preenchido por pessoas comuns que estejam passando pelo problema, ou empresas que controlam a praga. “O intuito é avaliar os locais onde o percevejo tem ocorrido, se a pessoa realizou viagem no exterior e o que vem fazendo para controlar a infestação”, explica Ana Eugênia. Até março de 2016, 357 pessoas comuns e 18 empresas responderam a consulta do IB.

No questionário há um campo onde é possível informar o CEP residencial da pessoa que está sofrendo com o problema, o que facilita na identificação do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do local. “Esta informação é importante para entender se as infestações continuam restritas a regiões mais pobres e socialmente menos favorecidas ou se sua distribuição encontra-se dispersa, em qualquer classe social”, afirma Ana Eugênia.

A cidade com menor índice de IDH relatada no questionário foi a de Francisco Badaró, em Minas Gerais, com IDH 0,622. O bairro da Vila Conceição, na Capital paulista, que apresenta IDH 0,961, foi o local com maior índice registrado no levantamento do IB. “Isso mostra que o inseto não faz distinção entre as classes sociais”, diz a pesquisadora. Apenas 14% das pessoas relataram que fizeram alguma viagem ao exterior, o que, segundo a pesquisadora do IB, indica que a praga já está estabelecida no País.

O que fazer para identificar e eliminar os percevejos de cama?

Segundo a pesquisadora do IB, é necessário inspecionar as camas, colchões e lençóis a cada limpeza no quarto do hotel e ainda nas residências, a fim de verificar a presença dos insetos ou seus vestígios, como marcas pretas nos lençóis e colchões oriundos das fezes dos percevejos. Uma vez encontrados, é preciso que se faça o controle o mais rápido possível, pois as populações do inseto crescem rapidamente.

“Os percevejos se alimentam de sangue. Em 10 a 15 minutos se satisfazem e voltam a se esconder em locais escuros, como costura do tecido que envolve o colchão, frestas e estrados das camas ou até mesmo nas cabeceiras, criados mudos e atrás de quadros pendurados nas paredes”, afirma. Os insetos podem ainda se abrigar dentro de aparelhos de tomadas e interruptores. “O ideal é inspecionar todos os móveis a 1,5m do local onde as pessoas dormem”, afirma. Segundo Ana Eugênia, nenhum Estado brasileiro está livre de infestações por percevejo de cama. Qualquer ambiente pode ter a ocorrência dos insetos, desde que receba uma fêmea inseminada.

Os percevejos de cama são insetos sem asas, com corpo achatado. Os adultos atingem até sete milímetros de comprimento. “As fases jovens, chamadas de ninfas, são bem menores, dificultando a visualização. A coloração dos insetos é marrom avermelhada, com exceção das ninfas recém-eclodidas dos ovos, que são bem claras antes da primeira alimentação. Geralmente, os insetos ficam juntos uns aos outros, rodeados de fezes”, afirma.

Caso o hóspede não tenha feito essa primeira avaliação, mas percebeu que foi picado durante a noite ou viu os insetos em atividade, ao chegar em casa deve lavar todas as roupas, de preferência em água quente. O aconselhável é levar tudo o que puder a máquina de secar roupa na temperatura máxima por 30 minutos, no mínimo. Caso não possua secadora, é aconselhável deixar as roupas secando a pleno sol e passar a ferro, principalmente nas costuras. “Malas e bolsas podem ser limpas com uma solução de água com detergente, utilizando uma escova dura para remoção de possíveis ovos que tenham sido colocados nos objetos. O ideal é limpar as malas com uma máquina de limpeza a vapor”, explica Ana Eugênia.

A pesquisadora do IB também aconselha a aspiração da casa de duas a três vezes na semana, tomando-se o cuidado de incinerar o saco do aspirador de pó após cada uso. “Diante de infestações altas, é necessária a contratação de uma empresa de controle de pragas urbanas com experiência no controle dos percevejos de cama”, afirma.

Zika e chikungunya: no que voce deve ficar ligado para a prova de Biologia

2016-10-19 noticia

Com o primeiro caso de Zika no Brasil registrado em 2015, a contaminação pelo vírus que causa a doença, bem como a forma de prevenção, passaram a ser assunto nacional, e, inclusive, podem estar na sua prova de Biologia. O mesmo vale para a chikungunya, que teve o primeiro caso no país identificado em 2014. Por isso, os estudantes que se preparam para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e para os vestibulares devem ficar de olho nos dois temas.

Coordenador e professor de Biologia do Curso ETAPA, Caio Gadel aconselha os alunos a prestarem atenção em dois tópicos: tipo de agente causador da doença (que nos dois casos é um vírus) e formas usuais de transmissão, isto é, pela picada do mosquito Aedes aegypti. 
Gadel lembra que os mosquitos têm uma característica importante: a fase larval é aquática, isto é, as larvas se desenvolvem na água. “Nesse sentido, medidas que valem para combater a dengue também valem para Zika e chikungunya. Por exemplo, evitar o acúmulo de água parada e usar repelente”, exemplifica.

Ciclo de vida
  
No ciclo de vida do mosquito, o transmissor é tipicamente a fêmea, recorda Gadel. Os machos normalmente se alimentam de seiva de plantas, e a fêmea precisa ter uma carga nutritiva diferenciada para colocar ovos. Por isso, ela se alimenta do sangue que absorve nas picadas. É importante ter em mente que os mosquitos são só vetores das doenças, isto é, transmitem os parasitas de pessoa para pessoa.

“Como o mosquito consegue o vírus? Chupando anteriormente o sangue de alguém que tem a doença. Não basta em uma região você ter só o mosquito - você tem de ter pessoas doentes. É assim que vira uma epidemia”, explica o professor. 
 
A fêmea coloca ovos em água parada, preferencialmente limpa. O professor explica que, hoje, já se sabe que as fêmeas de Aedes colocam seus ovos em diversos tipos de reservatórios de água, presentes com frequência nos ambientes urbanos.

Depois de um tempo, esse ovo eclode, a larva permanece na água e se transforma posteriormente em um mosquito adulto. Se for uma fêmea, vai chupar sangue de um ser humano e pode vir a ser um mosquito transmissor, contaminado pelos vírus causadores das doenças.

Transmissão vertical 

Uma fêmea de mosquito Aedes aegypti infectada, ao colocar os ovos, pode passar o vírus para seus filhotes? Gadel responde que sim. Pode haver a transmissão do vírus de uma fêmea contaminada para sua prole, caracterizando o que se chama de transmissão vertical. 

Relação com a microcefalia 

E a microcefalia? Gadel explica que a microcefalia é uma alteração congênita no bebê, e que decorre de muitas causas. Ainda não há comprovações definitivas de que o vírus zika seja causador da má-formação.

Por isso, Gadel acredita que a pergunta não será tema de questões diretas, justamente porque ainda não haja dados conclusivos sobre o tema. O que pode acontecer é o examinador apresentar um texto com um estudo sobre o tema, e pedir para o candidato interpretar o que está sendo dito.

“Ainda não dá para bater o martelo, mas por que se suspeita? Porque há uma sobreposição de dados muito grande”, diz.

O educador cita o caso da Polinésia Francesa, onde houve um surto de Zika e microcefalia no mesmo período, entre 2014 e 2015. As mães não tinham queixas de sintomas por contaminação do Zika, mas testes específicos indicaram que estavam contaminadas. “Possivelmente, tinham o vírus e não sabiam. Também há mães com Zika comprovado cujos filhos não têm microcefalia”, pondera.

Lei cria rede de protecao a gravidas com zika virus em Campo Grande

2016-10-18 noticia

Unidades de saúde terão programa para acompanhamento pré-natal.
Diário Oficial também traz lei sobre assistência à crianças com microcefalia.

A capital sul-mato-grossense terá uma rede de proteção a gestantes infectadas pelo vírus zika, segundo lei sancionada pelo prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (PP), e publicada no Diário Oficial (Diogrande) desta segunda-feira (17).

O objetivo do programa é melhorar a assistência obstétrica e neonatal, implantando ações de prevenção à saúde da gestante e do recém-nascido. Entre as medidas instituídas pela lei está o direito da gestante de ser informada antecipadamente em qual unidade hospitalar será levada para parto na rede de saúde.

A lei ainda afirma que caberá ao poder público estruturar a rede de proteção nas unidades básicas de saúde, além de implantar o fluxo regulatório e estabelecer referências de assistência ambulatorial e hospitalar da gestante e do recém-nascido.

A rede também deverá ter cooperação técnica de instituições universitárias e sociedades de especialidades médicas.

Microcefalia
A mesma edição do Diogrande também tem a publicação da lei que cria o programa municipal de assistência à criança com microcefalia.

O programa deverá ser implantado nas unidades de saúde municipais e oferecer acompanhamento de fonoaudiologia, fisioterapia, terapia ocupacional, acompanhamento psicológico para os pais, interação com outras famílias na mesma situação e, em casos necessários, o fornecimento de remédios e cirurgia.

 

Mutirao contra o mosquito Aedes aegypti visitara mais de 7 mil casas

2016-10-17 noticia

Arrastão contra o mosquito será neste sábado (15) em Rio Preto (SP). 
Cidade registrou neste ano mais de 16 mil casos.

Um mutirão contra o mosquito Aedes aegypti deverá visitar mais de 7,5 mil casas em São José do Rio Preto (SP) neste sábado (14). A ação é feita pela Secretaria de Saúde de Rio Preto e faz parte da campanha estadual "Todos unidos contra o Aedes aegypti", promovida em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde.

Segundo o Departamento de Vigilância Ambiental, o mutirão será realizado nas áreas de abrangência das unidades de saúde do Parque Industrial, Central, Santo Antônio, Maria Lúcia, Eldorado, Jaguaré, Estoril e Caic. “Deverão participar da ação cerca de 250 agentes de saúde com visitação prevista de 7,5 mil imóveis”, afirma o biólogo e gerente do departamento Abner Henrique Alves. O mutirão será realizado entre 8h e 14h.

Segundo o último levantamento da Secretaria de Saúde de Rio Preto, em setembro, a cidade já tinha registrado neste ano 16 mil casos positivos de dengue. O mês de março foi o que mais registrou casos, com 4.337 mil casos, e setembro foi o que menos registrou, com 37 casos. O mosquito Aedes aegypti é transmissor de doenças como a dengue, o vírus da zika e a chikungunya, além da febre amarela.

Agente visita casa em Rio Preto para combater a dengue (Foto: Reprodução / TV TEM)
Agente visita casa em Rio Preto para combater a dengue (Foto: Reprodução / TV TEM)

Cientistas sequenciam genoma de virus da zika achado no semen

2016-10-14 noticia

Investigação pode ajudar a entender como ocorre transmissão sexual.
Autores de estudo coletaram amostra de adolescente do Reino Unido.

Uma equipe de pesquisadores do Reino Unido isolou a primeira sequência genômica completa do vírus da zika encontrada a partir de uma amostra de sêmen. O estudo foi publicado na “Genome Announcements”, uma revista científica da Sociedade Americana de Microbiologia.

“Temos muitas perguntas não respondidas sobre como o vírus da zika é capaz de ser transmitido sexualmente, enquanto vírus similares não o são”, afirma o pesquisador Barry Atkinson, da agência Public Health England.

“É possível que as respostas para estas questões estejam no genoma viral, mas muitas sequências originadas do sêmen serão necessárias antes que os cientistas possam ver se há alguma mudança que lança luz sobre esse assunto”.

A investigação foi motivada pelo primeiro relatório dos Estados Unidos, de 2011, que apontava que o zika poderia ser transmitido sexualmente. “Com base nesse relatório, pedimos amostras de sêmen de todos os casos de zika importados para o Reino Unido, para assim fornecer mais evidências”, disse Atkinson.

Ele e seus colegas conseguiram sequenciar o vírus encontrado no sêmen de um adolescente do Reino Unido que tinha acabado de voltar deGuadalupe, no Caribe.

O risco de transmissão sexual já é bastante divulgado com relação ao vírus da zika. Os cientistas apontam, no entanto, que “o isolamento do vírus da zika no sêmen é um grande desafio e que pouca coisa havia sido publicada sobre o tema em específico, para que novos métodos sejam adotados e sirvam de modelo para outros seguirem”, disse Atkinson.

Parte da dificuldade para o sequenciamento do vírus pode estar relacionada com os tipos de células utilizadas por alguns pesquisadores para tentar fazer “crescer” o zika. Muitos deles utilizam células “vero” que, segundo os autores deste estudo, pode não ser a melhor escolha.
“Nós tentando isolar o vírus em duas linhas de células: as células “vero” padrão, encontradas em mamíferos, e as células C6/36, derivadas de mosquitos. O isolamento foi bem sucedido apenas no segundo caso”, explicou Atkinson.

Florida registra quase 1 mil casos de zika.

2016-10-13 noticia

Destes, 721 são relacionados com viagens; 103 envolvem grávidas.
Surto de zika autóctone nos EUA foi descoberto em julho.

As autoridades de saúde da Flórida, nosEstados Unidos, divulgaram nesta terça-feira (11) que foram registrados 996 casos de zika até agora no estado. Destes, 146 são de transmissão local, 721 estão relacionados com viagens e 103 correspondem a grávidas.

O número de casos autóctones aumentou e novos cinco casos foram contabilizados, dos quais dois ocorreram em Miami Beach e outros três não tiveram o local do contágio determinado, segundo o Departamento de Saúde da Flórida.

O surto de zika autóctone nos Estados Unidos foi descoberto em julho. O Departamento considera que atualmente o único foco de transmissão ativa por picadas de mosquito está em Miami Beach.

Para combater o surto de zika autóctone, as autoridades estiveram fumegando inseticidas desde terra e ar sobre os possíveis ninhos de mosquitos e mantêm um controle casa por casa nas zonas afetadas e outras para detectar possíveis casos.

Em 1 de outubro, as autoridades do condado Miami-Dade disseram que os resultados preliminares de exames de detecção de zika feitas a outro grupo de mosquitos em Miami Beach deram positivo.

Este seria o sexto grupo de mosquitos que testou positivo para zika, desta vez na zona norte da cidade litorânea. Os outros cinco grupos que deram positivo aos exames estavam em South Beach

 

OMS diz que e 'altamente provavel' que zika se espalhe pela Asia

2016-10-11 noticia

O vírus da zika provavelmente se propagará na Ásia, alertou a Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta segunda-feira (10), após centenas de casos de infecção pelo vírus terem sido notificados em Cingapura e dois bebês tailandeses terem nascido com microcefalia.

O vírus, transmitido principalmente por mosquitos, foi detectado em 70 países ao redor do mundo, incluindo pelo menos 19 países da região Ásia-Pacífico, disse o diretor da OMS para a segurança sanitária e emergências, Li Ailan.

Um relatório da OMS divulgado na reunião anual regional da organização, em Manila, disse que é "altamente provável" que o vírus "se espalhe ainda mais na região", que inclui a China, o Japão, a Austrália, a maioria das nações do sudeste asiático e as ilhas do Pacífico.

"É altamente provável que a região continue a reportar novos casos e, possivelmente, novos surtos de zika", acrescentou o relatório.

A diretora da OMS, Margaret Chan, disse que os líderes da região expressaram preocupações sobre o surto, acrescentando que os especialistas ainda estavam batalhando para encontrar formas de combater o flagelo.

"Infelizmente, os cientistas ainda não têm respostas para muitas questões críticas", disse Chan.

Mais de 400 casos de infecção pelo zika foram detectados em Singapura, enquanto o Vietnã, as Filipinas e a Malásia registraram menos de 20 cada, acrescentou.

Na maioria dos casos, o zika causa apenas sintomas brandos, como febre, dor nos olhos e erupção cutânea.

O vírus é, porém, particularmente perigoso para as mulheres grávidas, que quando infectadas correm o risco de dar à luz bebês com microcefalia, uma malformação congênita que prejudica o desenvolvimento cerebral.

Li disse que o zika está na região desde 1947, mas que era difícil identificar se nos casos recentes os indivíduos tinham sido infectados no exterior, em países com clima tropical e grandes populações de mosquitos, fatores potenciais para a transmissão do vírus.

 

8 casos de microcefalia em MT foram provocados pelo virus da zika

2016-10-10 noticia

Dos 39 casos confirmados de microcefalia (bebês com cérebro de tamanho menor do que o normal) em Mato Grosso, 8 foram causados pelo vírus da zika, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. Os dados são da Secretaria Estadual de Saúde (SES) e levam em conta os casos notificados até o dia 1º de outubro. O levantamento consta no boletim epidemiológico divulgado neste sábado (8) pelo órgão. Ainda segundo os dados, foram confirmadas quatro mortes ocasionadas pela malformação.

Cuiabá lidera o ranking dos casos provocados pelo vírus da zika. São sete casos confirmados na capital. O outro registro, segundo a SES, foi feito em Primavera do Leste, a 239 km de Cuiabá.

Ao todo, foram notificados até o dia 1º de outubro 314 casos da malformação. Desse total, 39 foram confirmados através de exames.

Do total de casos confirmados, a maior parte foi registrada no município de Rondonópolis, a 218 km de Cuiabá. Em seguida, aparece a capital com seis casos e Sorriso, a 420 km de Cuiabá, com três notificações.

Já as mortes provocadas pela microcefalia ocorreram em Cuiabá (5), Primavera do leste (1), Rondonópolis (1) e Sinop (1). Outras 12 mortes seguem sendo investigadas.

Microcefalia
São considerados com microcefalia os bebês com perímetro cefálico em recém-nascidos de 31,9 cm para meninos e 31,5 cm para meninas. O parâmetro é do Ministério da Saúde, seguindo recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS). Em dezembro, o parâmetro para diagnóstico da doença já havia diminuído, passando de 33 cm para 32 cm.

Mosca branca pode ser combatida, mas e de dificil controle

2016-10-07 noticia

Como eliminar uma mosca branca do tamanho de uma pulga que está matando todas as plantas da minha horta caseira?
Leila Guedes, por email

mosca branca é um inseto que suga a seiva de plantas. O adulto tem asas esbranquiçadas e corpo amarelado, enquanto a forma jovem, também conhecida como ninfa, tem aparência de uma pequena concha amarela. As ninfas se fixam na face inferior das folhas, principalmente nas mais baixas. De difícil controle, a mosca branca tem surtos populacionais em várias regiões brasileiras entre dezembro e abril. A infestação tende a declinar em regiões altas, como Sul, Sudeste e Centro-Oeste a partir de maio, quando as temperaturas médias ficam abaixo de 26 ºC. As chuvas também controlam naturalmente a praga, tanto por lavagem direta das folhas (remoção do inseto), quanto pelo aumento da umidade relativa do ar que favorece a ação de inimigos naturais. É preciso ter cautela no uso de pesticidas tóxicos, a exemplo dos utilizados para combater mosquitos e baratas à base de piretroides e organofosforados e pragas em jardinocultura amadora, à base de fipronil. Também se deve evitar o uso de inseticidas alternativos que tem como ingrediente o extrato ou a calda de fumo, pois contêm muita nicotina e podem ser prejudiciais à saúde de quem manipular o líquido e comer as hortaliças. Para plantas em hortas caseiras, a mosca branca não deve ocasionar grandes danos e perdas que justifique a aplicação de inseticidas químicos sintéticos. A maioria dos extratos vegetais e caldas à base de sabão ou detergente existentes tem ação repelente sobre os insetos adultos com duração por até quatro dias. Para as ninfas, a eficiência de controle é mais duradoura, mas a calda inseticida deve ser aplicada diretamente onde o inseto se aloja (face inferior da folha). Contudo, não se deve fazer aplicações frequentes, pois pode prejudicar a planta tratada. Veja a leitura da Circular Técnica nº 80 - Recomendações para o Controle de Pragas em Hortas Urbanas, que pode ser acessada a partir do site da Embrapa. A publicação mostra um conjunto de medidas de controle para insetos sugadores para minimizar o problema da mosca branca em horta.

 

Marcela Temer sera madrinha de campanha de combate ao mosquito da zika

2016-10-06 noticia

Voo mais alto O governo tem mais planos para Marcela Temer, além do programa Criança Feliz. A ideia é contar com a presença da primeira-dama em outras ações federais de comunicação.

Dona do repelente Com a chegada da temporada de chuvas, Marcela deve se tornar madrinha de uma campanha de combate à proliferação do mosquito da zika.

Família ê, família Em Paulínia, Karlo Augusto, irmão da primeira-dama, é ativista da causa “#zikazero”. Essa seria a bandeira de Augusto caso o cunhado presidente não tivesse barrado seus planos de concorrer a uma vaga de vereador na Câmara municipal da cidade.

 

Pesquisadores da Ufba foram os primeiros a descobrir o zika virus

2016-10-05 noticia

Mais comum na África e na Ásia, o vírus zika se espalhou por Norte e Nordeste, sem que houvesse diagnóstico para a doença. Uma epidemia em Camaçari levou o infectologista local Antonio Carlos Bandeira a contatar o pesquisador Gubio Soares, da Ufba, que, com sua equipe, foi pioneiro no diagnóstico da virose.

“Tivemos o privilégio de descobrir esse vírus no Brasil”, comemora o pesquisador em matéria doAprovado de sábado, 1º, salientando a importância da colega Silvia Sardi. “O infectologista Antonio Carlos Bandeira analisou os pacientes de Camaçari e, através dele, nós conseguimos o soro, a história clínica”, detalha o pesquisador, que agora investiga possibilidades de cura via células-tronco.

O pesquisador Gildásio Daltro, coordenador setor de ortopedia UPHES/UFBA, vem obtendo resultados excelentes com o uso de células-tronco no tratamento da osteonecrose, quando o osso começa a degenerar. “Esse tratamento visa regenerar este osso e prevenir artrose, além de retirar a dor”, diz o médico, garantindo que em casos gerados por anemia falciforme, o processo regenerativo acontece em quase 100% dos casos. Reveja a matéria.

 

Tailandia estuda fazer teste para zika em todas as gravidas

2016-10-04 noticia

País vai avaliar custo de realizar o teste gratuitamente nas gestantes após dois casos de microcefalia na região

BANGCOC - O governo da Tailândia está considerando testar todas as mulheres grávidas para o vírus zika, informou o Ministério da Saúde nesta segunda-feira, após a confirmação, na semana passada, dos primeiros casos de microcefalia no Sudeste Asiático relacionados à doença. O zika vem se espalhando na região após os surtos nas Américas.

 

- O ministro da Saúde pediu que estudássemos se o teste é necessário e qual seria o custo - explicou o secretário do órgão, Sophon Mekthon, à Reuters, referindo-se a exames gratuitos para todas as gestantes.

Um exame cerca de 2.000 baht (US$58), mas a repetição costuma ser necessária, disse Sophon.

- No momento, nós testamos mil grávidas apenas de áreas afetadas pelo zika, não em outras regiões.

A Tailândia confirmou 392 casos de zika casos desde janeiro, incluindo 39 mulheres grávidas. Já Singapura registrou 393 casos, incluindo 16 mulheres grávidas.

O teste para o vírus zika é gratuito em Cingapura para mulheres grávidas com sintomas do vírus ou com parceiros do sexo masculino que tiveram a doença. Já as grávidas sem sintomas recebem subsídios para fazer o exame.

Alguns especialistas em saúde acusaram a Tailândia - que tem sua economia fortemente dependente do turismo - de jogar para baixo o risco zika, mas as autoridades de saúde rebatem a acusação e garante que estão reforçando o controle. Filipinas, Malásia, Vietnã e Indonésia têm registro de pelo menos um caso.




Casos notificados de virus da zika aumentam 162% em relacao a 2015

2016-10-03 noticia

Em nove meses, Mato Grosso já apresentou 24.369 notificações da doença.
Boletim também aponta alta incidência de casos de dengue no estado.

O número de notificações de casos de vírus da zika em Mato Grosso, até o momento, já é 162% maior do que o total registrado no ano de 2015, segundo aponta o boletim divulgado na sexta-feira (30) pela Vigilância Epidemiológica do estado, ligada à Secretaria Estadual de Saúde (SES-MT). Em 9 meses, foram 24.369 notificações registradas, contra 9.317 em todo o ano passado.

De acordo com o monitoramento da SES-MT, o estado apresenta, também, alta incidência de casos de dengue, sendo registrados 26.326 casos - o que significa uma incidência de 806 casos a cada 100 mil habitantes -, um aumento de 11% em relação ao mesmo período de 2015. Essas duas doenças, que apresentam alta incidência no estado, assim como a febre chikungunya, são trasmitidas pelo mesmo vetor, o mosquito Aedes aegypti.

Em nove meses, foram registrados 1.410 notificações de casos de febre chikungunya em Mato Grosso. Apesar do número representar um aumento de 334% em relação ao total de casos apresentados em todo o ano de 2015, a doença ainda tem incidência baixa no estado: 43 casos a cada 100 mil habitantes.

Conforme o boletim de monitoramento, seis cidades permanecem silenciosas, ou seja, não apresentaram notificações de nenhuma das três doenças transmitidas pelo vetor: Jangada, Nossa Senhora do Livramento, Indiavaí, Santa Terezinha, Conquista D'Oeste e Figueirópolis d'Oeste.

Mortes
A comissão de investigação de óbitos afirma que está monitorando 15 notificações de óbitos por dengue. Destes, apenas cinco foram confirmados até o momento, oito foram descartados e dois seguem sob investigação.

Risco do Zika para fetos pode ser maior do que se pensava.

2016-09-30 noticia

Por Bill Berkrot

BOSTON (Reuters) - O risco representado pelo vírus Zika para fetos em desenvolvimento é provavelmente bem maior do que as estimativas atuais sugerem, disse uma importante autoridade de saúde dos Estados Unidos nesta quinta-feira.

A microcefalia, a má-formação craniana de recém-nascidos, é um dos vários problemas associados ao Zika cada vez mais vistos em crianças nascidas de mães infectadas com o vírus durante a gravidez.

Outros tipos de problemas de nascimento observados incluem convulsões, surdez, cegueira e uma gama de anormalidades neurológicas e de desenvolvimento.

Neste ano, uma análise norte-americana estimou o risco da microcefalia após a infecção da mãe com o vírus durante o primeiro trimestre de gravidez entre 1 por cento e 13 por cento.

Esse dado não inclui o risco geral de problemas de nascimento, afirmou Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, durante um debate sobre o Zika.

"Se você está falando sobre qualquer defeito congênito, eu acho que vai ser muito maior do que 13 por cento”, declarou ele. “Acho que vamos ver algo muito perturbador.”

O debate foi organizado pela Escola de Saúde Pública T. H. Chan de Harvard, em colaboração com a Reuters.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou o Zika uma emergência de saúde global em fevereiro. O vírus transmitido por mosquito tem se espalhado rapidamente pelas Américas. O Brasil é o país mais atingido até agora. Na quarta-feira, o Congresso norte-americano aprovou um fundo de 1,1 bilhão de dólares para a pesquisa e o combate ao Zika.

Falando no mesmo debate sobre o Zika na quinta, Marcia Castro, professora de demografia em Harvard, afirmou que médicos no Brasil estudam a onda inicial de bebês atingidos pelo Zika, que agora chegam ao primeiro aniversário.

Além de convulsões, agitação e choro frequente, essas crianças também exibem um tipo grave de refluxo que as impede de comer, disse ela, acrescentando que não está claro quanto tempo essas crianças vão viver.

“Um estudo com camundongos mostra que o Zika afeta o cérebro de um adulto”, declarou ela, com impactos para a memória a longo prazo e a depressão.

Até 17 de setembro, o Brasil tinha confirmado 1.949 casos de microcefalia associada ao Zika, a maior parte no Nordeste. Outros 3.030 casos estavam sendo investigados.



Leia mais: http://extra.globo.com/noticias/mundo/risco-do-zika-para-fetos-pode-ser-maior-do-que-se-pensava-diz-especialista-20204559.html#ixzz4LkOpM7Az

 

Aviso contra o zika em aeroportos dos EUA esta 'afetando negocios' no Brasil

2016-09-29 noticia

Este aviso com a frase, em inglês, “Não deixe este mosquito mau picar você” está sendo exposto em aeroportos dos EUA. A placa destaca, no mapa, países como Brasil e México e dá “dicas”, como “durma sob uma rede antimosquitos” ou “fique em lugares com ar-condicionado”.
O Rio Convention & Visitors Bureau avisou ao Ministério do Turismo que a imagem está “afetando diretamente os negócios no Brasil”. E alerta que 60 grupos de Boston que viriam ao Brasil... cancelaram a viagem. 
O motivo? Medo da zika. De novo?

ULSEIRA AFASTA MOSQUITO QUE TRANSMITE A ZIKA

2016-09-28 noticia

Pensando nisso, uma marca de joias resolveu investir em uma solução alternativa aos tradicionais repelentes. A marca By Invite Only lançou a Yu Ahn Collection, uma nova linha de acessórios feita exclusivamente com citronela, essência que repele os mosquitos transmissores da Zika.

A coleção apresenta uma pulseira e duas versões de colares. Todos os acessórios são feitos com pingentes que possuem citronela no interior e podem ser recarregadas com o óleo sempre que este acabar. Cada cartucho de refil para os pingentes custa US$ 4,90 e dura até sete dias.

As joias foram feitas com Jade, pedra semipreciosa, que é o símbolo chinês de proteção contra os males e a má sorte.

A inovação dessa linha de joias é que ela possibilita que as pessoas não levem os frascos de repelente para todos os lados. O foco foi combinar a segurança contra a zika com um design diferenciado que as pessoas pudessem usar o tempo todo.

 

Aborto em caso de zika e mais delicado

2016-09-27 noticia

A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, disse nesta sexta-feira (23) que pretende julgar até o final do ano o processo sobre a possibilidade de aborto no caso de grávidas infectadas pelo vírus da zika. Em conversa com jornalistas, a ministra também ressaltou que o "tema é mais delicado" que o aborto em caso de anencefalia.

"Eu acho que (o aborto em caso de zika) é mais delicado, até por causa do momento em que estamos vivendo em que aconteceu isso, e a sociedade quer participar (da discussão)", disse a presidente do STF, durante um café da manhã com repórteres que cobrem o Poder Judiciário.

Questionada sobre as diferenças desse novo julgamento com o caso dos fetos anencéfalos, Cármen Lúcia respondeu, incisiva: "É outra coisa, completamente diferente."

Em abril de 2012, o STF decidiu, por 8 votos a 2, que o aborto de feto sem cérebro não é crime. Cármen Lúcia deu um dos votos favoráveis à possibilidade de interrupção da gestação nesse caso.

A Associação Nacional de Defensores Públicos (Anadep) é a autora da nova ação, que pede o direito de aborto para mulheres infectadas pelo vírus da zika.

Um ministro ouvido reservadamente pela reportagem considera que o novo julgamento será mais controverso, por considerar que os bebês com microcefalia apresentam "potencial de vida", ao contrário dos fetos anencéfalos.

Repulsa

Em manifestação encaminhada ao STF, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deu parecer favorável à possibilidade de aborto em casos de grávidas contaminadas pelo vírus da zika, argumentando que a continuidade da gestação nesse caso representa risco "à saúde psíquica da mulher". Já a Advocacia-Geral da União (AGU) alega que a interrupção da gestação "seria frontalmente violadora ao direito à vida".

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), por sua vez, considerou que o aborto nessas circunstâncias "diz respeito a um dissenso moral profundo", sobre o qual dificilmente os parlamentares vão adotar uma "uniformidade de posições".

STF pode julgar aborto para gravidas com zika este ano.

2016-09-26 noticia

A possibilidade de aborto para mulheres infectadas pelo vírus da zika pode ser julgada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) ainda este ano. A questão foi levada à ADI (Corte em uma Ação Direta de Inconstitucionalidade) da Anadep (Associação Nacional dos Defensores Públicos), que questiona as políticas públicas do governo federal na assistência a crianças com microcefalia, má-formação provocada pelo vírus.

A previsão de julgamento foi feita nesta sexta-feira (23) pela presidente do STF e relatora da ação, Cármen Lúcia, em conversa com jornalistas. "Chegou da procuradoria [Procuradoria-Geral da República] e agora tem a medida cautelar. Estou trabalhando nisso. Esse é um caso sério. Acho que dá [para julgar este ano], mas não sei. Ontem julgamos bem, julgamos oito processos, depende muito", disse a ministra, referindo-se à pauta da Corte.

No começo de setembro, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou ao STF parecer favorável à autorização do aborto para gestantes com o vírus da zika, que pode causar microcefalia nos bebês.

 

iStockphoto

"A continuidade forçada de gestação em que há certeza de infecção pelo vírus da zika representa, no atual contexto de desenvolvimento científico, risco certo à saúde psíquica da mulher. Ocorre violação do direito fundamental à saúde mental e à garantia constitucional de vida livre de tortura e agravos severos evitáveis", escreveu Janot no parecer. 

 

Em 2012, o STF julgou uma ação levada pela CNTS (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde) sobre aborto em caso de anencefalia do feto. Por maioria dos votos, a Corte decidiu que a mulher pode interromper a gestação em caso de fetos anencéfalos.

Perguntada sobre semelhanças entre as ações sobre anencefalia e microcefalia, Cármen Lúcia disse que a discussão é muito diferente. "É outra coisa. É completamente diferente. Acho que é mais delicado até por causa do momento que estamos vivendo, em que aconteceu isso e que a sociedade quer participar", disse.

 

Vacina de DNA contra zika mostra eficiencia em macacos

2016-09-23 noticia

Uma nova candidata a vacina de DNA contra o vírus da zika, desenvolvida pelos Institutos Nacionais de Saúde (NIH, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, mostrou alto nível de eficiência em testes com macacos. Os testes, com participação da brasileira Leda Castilho, da Coppe-UFRJ, tiveram seus resultados publicados nesta quinta-feira, 22, na revista Science.

Aplicada em duas doses, a vacina deu proteção total a 17 primatas em um grupo de 18 animais. A vacina se baseia em um DNA que codifica duas proteínas exclusiva do vírus da zika, fazendo com que o organismo desenvolva uma resposta imune contra a infecção.

De acordo com os autores do artigo, os resultados dos ensaios serão utilizados nos testes clínicos com humanos, já em andamento, para ajudar a estabelecer os níveis mínimos de anticorpos no sangue para que uma proteção completa seja possível.

Uma vacina preventiva é vista pelos cientistas como a melhor alternativa para reduzir o alastramento do vírus pelo mundo e evitar suas graves consequências para gestantes. Uma das possibilidades é o desenvolvimento de vacinas de DNA, que codifica proteínas específicas do vírus.

Quando as células do paciente absorvem esse DNA, elas o utilizam para sintetizar as proteínas virais, levando o organismo a reconhecê-las e desencadeando uma resposta do sistema imune contra a infecção.

Segundo Leda, a nova vacina utiliza como vetor um anel de DNA chamado plasmídeo, que contém dois genes que codificam uma proteína da membrana e outra do envelope do vírus. A pesquisadora está desde março em Bethesda, nos Estados Unidos, atuando como pesquisadora visitante do Centro de Desenvolvimento de Vacinas do NIH.

"Quando esse vetor de DNA é injetado no macaco, o organismo dele passa a produzir as proteínas, formando estruturas tridimensionais que chamamos de partículas sub-virais - que é, digamos assim, só a casca do vírus, sem seu código genético. O organismo então passa a reconhecer essas partículas e a produzir anticorpos", disse Leda à reportagem.

O teste teve o objetivo, de acordo com Leda, de avaliar se a vacina de DNA do NIH realmente induz à produção de anticorpos e se eles são neutralizantes o bastante. O próximo passo é estabelecer o limiar de anticorpos necessários para a proteção. Mas a pesquisadora afirma que a vacina já está sendo avaliada clinicamente.

"Os testes de fase 1, que têm objetivo de avaliar a segurança da vacina em humanos, já foram iniciados e os primeiros voluntários receberam a vacina no início de agosto. Até agora, 55 indivíduos já foram vacinados e chegaremos a 80. Esperamos ter os resultados dessa fase de testes nos próximos quatro meses", disse Leda.

De acordo com Leda, o experimento foi realizado com 30 macacos rhesus, divididos em cinco grupos de seis primatas, que receberam diferentes variantes da vacina. Três dos grupos receberam duas doses e um deles recebeu apenas uma dose. Outros animais receberam uma vacina inativa, como controle.

"Dos 18 macacos que receberam duas doses, 17 ficaram completamente protegidos. Os seis animais que receberam apenas uma dose não ficaram protegidos. Mas suas cargas virais foram reduzidas em comparação com animais do grupo de controle", afirmou Leda.

O fato de animais que receberam baixas dosagens apresentarem carga viral menor é importante, segundo Leda, porque mostra que um número reduzido de anticorpos não leva a uma infecção ainda mais severa, como é observado em alguns casos de infecção por dengue.

"O número de animais no nosso experimento é pequeno para que possamos afirmar com certeza que a infecção não se fortalece quando os anticorpos estão presentes em baixa concentração. Mas é um indício importante", declarou.

Pulverizacao aerea contra Aedes e inconstitucional, diz Janot

2016-09-22 noticia

pulverização de substâncias químicas por aeronaves para conter doenças causadas pelo mosquitoAedes aegypti é inconstitucional por ofender a preservação do meio ambiente, além de trazer riscos à saúde humana, segundo entendimento do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5.592, enviada ao Supremo Tribunal Federal.

Por haver perigo de danos imediatos aos ecossistemas e risco de intoxicação humana, Janot pede medida cautelar. As informações foram divulgadas nesta quarta-feira (21) no site da Procuradoria.

A Lei 13.301/2016 dispõe sobre a adoção de medidas de vigilância em saúde diante de situações de iminente perigo à saúde pública pela presença do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, da chikungunya e da zika.

A ação proposta por Janot volta-se contra o trecho da legislação que afirma ser fundamental a pulverização de produtos químicos para conter os mosquitos (artigo1º, §3º).

Segundo Janot, além de ser "duvidosa a efetividade da medida, ela traz impactos negativos como contaminação do meio ambiente e intoxicação da população, podendo causar dores de cabeça, náuseas, dificuldades respiratórias e alergias na pele".

O procurador destacou que após a dispersão química, as substâncias acabam atingindo residências, escolas, creches, hospitais, clubes, feiras, comércio de rua e ambientes naturais, meios aquáticos, como lagos, lagoas e centrais de fornecimento de água para o consumo humano.

Outro ponto abordado por Janot na ação é a questão da finalidade. O procurador alerta que a medida "não contribui efetivamente para o combate ao mosquito, que possui hábitos domiciliares, ao abrigo das pulverizações".

"Não se admite previsão legal de medidas vãs do poder público, em respeito à carência de recursos materiais e humanos, e ao dinheiro recolhido compulsoriamente dos contribuintes", adverte.

O procurador-geral argumenta que não há certeza quanto à eficácia nem quanto à segurança da medida. "Pelo contrário, os estudos existentes indicam em sentido oposto, pela ineficácia e periculosidade da dispersão de produtos químicos por aeronaves. É incompatível com a ordem constitucional previsão legal que admita medida cujos efeitos positivos à saúde e ao meio ambiente não foram comprovados, mas que, bem ao contrário, a maior parte da informação disponível sugere que seja ineficiente e dano", sustenta.

Cientistas sugerem que zika pode ser transmitida por lagrimas de infectado

2016-09-09 noticia

O vírus zika pode permanecer nos olhos - é o que revelam testes em ratos, que poderiam explicar o motivo pelo qual pessoas infectadas desenvolvem doenças oftalmológicas, podendo, em alguns casos raros, levar à cegueira. Os cientistas ainda apontaram que é possível que ocorra transmissão por meio de lágrimas da pessoa infectada. 

A conclusão é de um estudo publicado nesta terça-feira (6) na revista norte-americana Cell Reports, que descreve os efeitos da zika nos olhos dos fetos de ratos, de camundongos e de animais adultos. Os cientistas pretendem completar seu estudo com pesquisas em humanos.

"Nossa pesquisa sugere que os olhos podem ser um reservatório para o vírus zika", explica o dr. Michael Diamond, professor na Faculdade de Medicina da Universidade de Washington, em St. Louis (Missouri), coautor do trabalho. "Devemos verificar se pessoas infectadas pelo zika têm o vírus nos olhos e por quanto tempo ele pode ficar ali", completou.

Uma infecção nos olhos por esse vírus abre a possibilidade de que pessoas possam ser contaminadas por um simples contato com lágrimas. Os pesquisadores detectaram material genético da zika no líquido lacrimal de ratos infectados até 28 dias após a infecção. Neste caso, porém, o vírus não estava vivo.

"Pode haver uma janela em que as lágrimas sejam altamente infecciosas e podem contaminar outras pessoas", alerta Jonathan J. Miner, outro cientista que participou do estudo. Atualmente, já há indícios de que a zika possa ser transmitida por urina e salivaalém de relações sexuais e por picadas do Aedes. 

Nos adultos, a zika pode provocar conjuntivite, uma irritação dos olhos e, em alguns casos raros de uveíte, uma queda da pressão intraocular que pode levar à cegueira irreversível.

Para determinar os efeitos para os olhos, os cientistas infectaram, em especial, ratos adultos na pele, reproduzindo uma infecção transmitida pela picada de mosquito. Eles detectaram o vírus vivo nos olhos dos roedores sete dias depois.

Ainda não se sabe se o vírus atravessa, de modo sistemático, a barreira protetora que separa a retina do olho do restante da circulação para se propagar ao longo do nervo óptico, ligando o cérebro aos olhos, ou se busca outros caminhos.

 

Janot defende aborto para gravidas com virus da zika

2016-09-08 noticia

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, defendeu o aborto para mulheres infectadas pela zika. A continuidade forçada da gestação nos casos em que há certeza da infecção pelo vírus, segundo ele, representa risco "à saúde psíquica da mulher".

A argumentação foi apresentada em parecer encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) sobre ação movida pela Associação Nacional de Defensores Públicos (Anadep), que pede direito à interrupção da gravidez para infectadas pela doença.

Na opinião de Janot, a recomendação não significa "desvalor à vida humana ou à das pessoas com deficiência". Isso porque, diz ele, a decisão será sempre da gestante. No parecer, a Procuradoria também ponderou que a Anadep não é o autor adequado para ações judiciais que tratem desse assunto.

A Advocacia-Geral da União, na mesma ação, se posicionou contra a interrupção de gravidez para mães com zika. Em meio à epidemia de zika iniciada no ano passado, o Alto Comissariado de Direitos Humanos das Nações Unidas já pediu às nações afetadas que liberem às mulheres o aborto e métodos contraceptivos.

 

Pizza Hut e acusada de usar ingredientes vencidos na Indonesia

2016-09-06 noticia

A rede americana Pizza Hut, acusada na Indonésia de usar ingredientes até seis meses após o fim de sua data de validade, afirmou nesta terça-feira que seus restaurantes são seguros.

Os restaurantes da Pizza Hut na Indonésia, administrados pela companhia indonésia Sarimelati Kencana, foram investigados pelo serviço indonésio da BBC e pela revista local Tempo.

A empresa foi acusada de utilizar certos ingredientes, entre eles massa, salsichas vegetarianas e molho carbonara sabendo que estavam vencidos.

De acordo com a investigação, os produtos eram utilizados de um a seis meses após o fim da data de validade. Estas práticas eram de conhecimento da direção, segundo estes meios de comunicação.

A Pizza Hut e a rede de massas japonesas Marugane Udon – também acusada de usar alimentos vencidos em restaurantes da Indonésia – desmentiram estas acusações.

Não houve nenhum caso apontado de cliente que tenha passado mal depois de ter consumido na Marugame Udon ou na Pizza Hut, presente há 32 anos na Indonésia, onde emprega mais de 13.000 pessoas.

Por que ha mais casos de microcefalia no Brasil do que em outros paises afetados por zika?

2016-09-05 noticia

A OMS (Organização Mundial de Saúde) e autoridades médicas se dizem intrigadas com o fato de os casos de microcefalia aparentemente serem muito mais numerosos no Brasil do que em outros países afetados pela epidemia de zika.

A questão esteve no centro dos debates do 4º encontro do comitê emergencial da OMS sobre o tema, que terminou na última sexta-feira (2) em Genebra.

De acordo com o diretor do comitê, o médico David Heymann, explicações para o alto número de incidência de más-formações ainda precisam ser desvendadas, e estudos em diversas direções procuram entender causas além das especuladas até o momento.

"Há enormes variações e precisamos responder à pergunta: isso ocorreu simplesmente porque o vírus atingiu a população em um outro momento, e há apenas um lapso de tempo? Estamos apenas aguardando que as complicações apareçam? Ou outros fatores contribuem fazendo com que, em uma parte do mundo, a doença resulte em maiores complicações do que em outra?", indagou.

De acordo com o último boletim epidemiológico da Opas (Organização Pan-Americana de Saúde), até agosto foram confirmados 1.845 casos de bebês nascidos com más-formações no Brasil, em uma população de 206 milhões.

O segundo país a registrar maior incidência de más-formações congênitas é a Colômbia, com 29 casos confirmados em uma população de 47 milhões.

Em uma comparação simplificada, o Brasil tem população cerca de 4,3 vezes maior do que a do vizinho, mas registra 63 vezes mais casos de más-formações.

Ao todo, infecções por zika foram observadas em 72 países desde 2007, porém apenas 20 desses reportaram más-formações no sistema nervoso de bebês associadas ao vírus. Entre eles, quatro foram episódios de infecção ocorridos fora do território.

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Possibilidades

Diversas teorias procuram explicar a razão dos altos índices de microcefalia observados particularmente no Brasil, mas até o momento nenhuma é conclusiva.

O argumento mais aceito era de que os surtos haviam iniciado anteriormente no Brasil e se alastrado para o resto da América Latina, portanto seria apenas uma questão de tempo até a microcefalia atingir altos números na região como um todo.

Essa profecia, porém, ainda não se concretizou, deixando o Brasil numa indesejável e solitária liderança estatística.

Para o virologista da USP Paolo Zanotto, a cepa (linhagem) do vírus, o lapso do tempo desde o início da epidemia, a interação com outras doenças e as condições socioeconômicas são os fatores mais prováveis por trás da discrepância.

Na reunião da OMS debateu-se extensamente se a versão do zika que provocou a epidemia no Brasil --de origem asiática e comprovadamente associada à microcefalia-- seria mais perigosa do que sua gêmea, a cepa africana.

"As epidemias com a cepa africana vêm ocorrendo há vários anos, mas ninguém realmente as observou. Então a pergunta é: estaria a africana também causando microcefalia?", questionou Peter Salama, diretor-executivo para surtos e emergências da organização.

"Estamos analisando as diferenças entre as cepas. Isso está sendo investigado", reforçou Heymann.

Zanotto ressalta que a desproporcionalidade de casos nos Brasil depende da compreensão do fenômeno como um todo. O lapso do tempo desde o início da epidemia e o nível de prevalência do vírus seriam os parâmetros corretos para essa aferição.

"A gente precisaria ter estudos de sorologia retroativos nas populações para entender em que ponto estamos, quantas pessoas de fato foram infectadas. Um milhão? Cinquenta milhões? Precisamos saber isso para poder calcular os casos de microcefalia com um denominador de fato."

"Imagine se no Nordeste (do Brasil) 80% da população já tiver sido infectada? Aí os números de microcefalia fariam sentido. Mas, se menos de 2 milhões tiverem sido infectados, ainda haveria muitos milhões (de pessoas vulneráveis). Aí a doença ficaria muito mais complicada do que parece", explicou.

PAIS SUPERAM MICROCEFALIA DE FILHOS

Cofatores

"É necessário que haja estudos completos, com grupos de controle, para estabelecer se existem ou não outros aspectos envolvidos. Isso é principalmente por conta da diferença entre as manifestações (do vírus) em diversos países", afirmou Heymann.

O diretor-executivo destacou que a particularidade brasileira é "uma questão em aberto". "Há muitos estudos em andamento, inclusive com grupos de controle, especialmente no Nordeste do Brasil, para explicar as variações entre as incidências de complicações."

Ele enumerou aspectos genéticos, alimentares e de contaminação ambiental como exemplos. "Há uma extensa gama de fatores que precisa ser avaliada para entendermos exatamente a causa", agregou.

O desafio dos cientistas não é apenas definir quais cofatores impactaram a má-formação dos bebês, mas também avaliar a interação entre eles, já que possivelmente ocorrem simultaneamente.

"No Nordeste, há uma prevalência de dengue muito mais alta do que no resto do Brasil. Cerca de 80% da população já teve dengue. Pesquisas já mostraram que isso pode ser um intensificador do problema", disse Zanotto.

Outro ponto destacado por Zanotto é o índice de desenvolvimento humano (IDH), referência utilizada para avaliar a condição socioeconômica da população. De acordo com o professor, a maioria dos bebês afetados nasceu em comunidades cujo IDH é baixo.

"Temos evidência de que o fator socioeconômico está relacionado também --pode ser relacionado à má nutrição ou à exposição a outras doenças."

"Há várias coisas que podem ser a razão (da alta incidência de microcefalia) e estamos tentando produzir pesquisas em várias linhas para tentar ficar sensível às respostas que venham dessas diferentes hipóteses", concluiu.

O que a 1ª epidemia de polio nos EUA pode ensinar sobre o surto de zika

2016-09-02 noticia

Há exatos cem anos, a cidade de Nova York foi atingida por uma das piores epidemias já vistas: o primeiro surto explosivo nos Estados Unidos de paralisia infantil – doença posteriormente conhecida como poliomielite.

Era uma enfermidade assustadora, desconcertante. A maioria das vítimas era de crianças pequenas. Inicialmente, elas nem pareciam terrivelmente doentes; na maioria das vezes acordavam febris e irritadas, dizendo que o pescoço doía.

Logo, porém, em vez de voltarem à cama, só conseguiam se arrastar pelo chão, com as pernas dobradas atrás delas. Em questão de horas, em alguns casos, as crianças lutariam para respirar e, depois, morriam.

Antes do final daquele ano, seis mil haviam morrido de pólio, na maioria crianças, e 21 mil ficaram temporária ou permanentemente paralisadas. Aquele surto se limitou à região Nordeste dos EUA, mas estabeleceu um padrão.

A pólio é uma doença de clima quente, e aconteceram epidemias de verão frequentes, mas irregulares, até que as vacinas deram cabo daquela era. Durante os 60 anos seguintes, crianças e adolescentes com as colunas retorcidas e pernas paralisadas eram comuns nos Estados Unidos.

Agora que o vírus zika chegou à porção continental dos EUA e que a pólio ressurgiu na África depois de dois anos sem um caso, pode ser instrutivo reexaminar a primeira epidemia nova-iorquina. Ela se caracterizava por muitos dos problemas que confundiram nossa reação à epidemia da zika: boatos, preconceito étnico e medidas ineficazes.

Em 1916, com a causa da pólio ainda vaga, a cidade reagiu como fazia com a disenteria, a febre tifoide e a tuberculose: as autoridades enfatizavam ferozmente a higiene. Trabalhadores lavavam diariamente as ruas com 15 milhões de litros de água e pediam que os nova-iorquinos limpassem a casa. Usem esfregões úmidos, não vassouras secas, diziam. Espalhem serragem molhada ou folhas de chá antes de varrer.

Se a pólio fosse um hantavírus, transmitido pela urina seca de rato, esse poderia ter sido um conselho sensato, mas ela é transportada pelas fezes, e lavar as ruas pode ter servido apenas para espalhar o vírus pelas sarjetas.

O conselho ruim veio diretamente do alto. Como havia feito pesquisa com o modelo animal errado – um tipo de macaco que não podia ser infectado oralmente – o Dr. Simon Flexner, diretor do famoso e então recente Instituto Rockefeller, insistia que a pólio infectava pelo nariz, através do pó ou de espirros.

Dizia-se que cachorros e gatos eram os transmissores, e os assustados donos acenavam para as carroças da Sociedade para a Prevenção da Crueldade aos Animais para entregar seus bichos ou simplesmente os soltavam. As delegacias de polícia foram tomadas por garotos arrastando vira-latas em busca de recompensas. A SPCA e a polícia mataram 72 mil gatos e oito mil cães.

Os cidadãos bombardeavam a Secretaria de Saúde da cidade com suas próprias teorias sobre a causa. Segundo a revista "Smithsonian", os suspeitos eram: mosquitos, esgoto, o Canal Gowanus, lençol freático, casquinhas de sorvete, escavações, moscas, percevejos, pó das ruas, flocos de milho, metrô, parasitas da água, utensílios de cozinha de metal, gases de fábrica de munição, carteiras escolares, mercúrio, roupa branca, vulcões, eletricidade, queimadura solar, roupas de cama usadas, comida estragada, garrafas sujas de leite, moedas na boca e tabaco.

Da mesma forma que acontece com o zika hoje, um pesticida era amplamente acusado: um herbicida contendo arseniato de chumbo.

Muitos acusavam os imigrantes. Na década de 1840, os irlandeses foram culpados pelo cólera, e, na de 1890, os judeus, pela tuberculose. A primeira criança a ficar paralítica morava num bairro italiano modesto a leste do Canal Gowanus, no Brooklyn. A pólio logo se espalhou por Pigtown, área de criação de porcos, e a maioria dos 20 primeiros casos se deu entre crianças italianas.

Funcionários da saúde invadiam os bairros italianos, pregando placas de quarentena nas portas. Na verdade, os moradores podem ter sido as primeiras vítimas inocentes. Não havia um grande surto na Itália, nem haveria até a década de 1930. Os inspetores da ilha Ellis, então principal porta de entrada dos Estados Unidos, não informaram epidemia de paralisia entre os recém-chegados.

A cepa letal poderia ter origem norte-americana. Segundo David M. Oshinsky, autor de um livro sobre a doença, um surto de pólio em um minúsculo vale nos arredores de Rutland, Vermont, matou 18 e deixou 50 pessoas paralíticas em 1894.

Outra teoria – não comprovada, e com alguns indícios em contrário – é a de que o vírus fugiu do laboratório de Flexner, onde ele criava cepas híbridas de humanos e macacos.

Maior ainda do que a discriminação contra os italianos era aquela contra todas as crianças de Nova York. Fora da cidade, elas eram objetos de horror.

Enquanto as pessoas fugiam com seus filhos, cidades entre Hoboken, em Nova Jersey, até Boston colocaram policiais nas plataformas de trem e balsas, mandando de volta qualquer pessoa com menos de 16 anos. Nas rodovias de Long Island, "inspetores de saúde" – às vezes basicamente justiceiros – mandavam parar carros em busca de crianças.

O Serviço de Saúde Pública emitia "certificados de saída" para crianças consideradas livres de pólio; as autoridades emitiram 5.225 num único dia de julho. Até isso poderia dar errado. Autoridades de Schodack, Nova York, anunciaram multas de US$ 50 para forasteiros com crianças e diziam que "não reconheceriam nenhum certificado, assinado por quem quer que fosse".

Na cidade de Nova York em si, as crianças eram proibidas em cinemas, bibliotecas e eventos esportivos. As escolas dominicais fecharam e os piqueniques da igreja, desfile do Dia da Independência dos EUA e festivais de santos italianos foram cancelados. Os pais eram advertidos de que crianças saudáveis podiam ir a parques, mas nunca deveriam brincar em grupos com mais de três.

As crianças doentes – até mesmo as resfriadas – viviam coisa ainda pior.

Inicialmente, usou-se a quarentena caseira, mas quando os hospitais foram destinados para essa finalidade, as crianças eram levadas embora. Em algumas, a poliomielite era diagnosticada através de uma punção lombar perigosa e dolorosa. Os resultados demoravam dias, e as crianças com febres simples eram muitas vezes trancadas com vítimas da epidemia e morriam.

Alguns hospitais deixavam as mães reconfortar os filhos assustados; alguns barravam todos os visitantes, enviando notícias citando o nome dos paralisados e mortos. Foram proibidos os funerais públicos para as vítimas.

Registraram-se reações ferozes. As famílias ricas contratavam enfermeiros particulares, então as crianças dos pobres eram levadas. Uma agressiva escola de enfermagem do Brooklyn, segundo o "New York Times", recebeu um bilhete da Mão Negra, a precursora da Máfia norte-americana: "Se vocês denunciarem mais dos nossos bebês à Comissão de Saúde, vocês serão mortos".

Cidades como Oyster Bay, em Long Island, ficaram famosas quando ricos donos de terras, entre eles o famoso presidente Theodore Roosevelt, culparam os moradores pobres italianos e poloneses pela epidemia de pólio e fizeram a polícia confiscar crianças e aplicar multas por lixo não coletado.

No fim das contas, a brutalidade não funcionou. Oyster Bay relatou nove casos a cada mil habitantes, cinco vezes acima da média de Nova York, com somente uma fração deles entre os filhos de imigrantes pobres.

Pelo contrário, o vírus era brecado anualmente pelo inverno, com os picos de epidemia sendo controlados pela imunidade de grupo e, enfim, banido pela vacina.

Tudo isso pode acontecer com o zika – embora não possa ocorrer tão rapidamente.

Zika causa surdez em 6% de casos, diz estudo da Fiocruz

2016-08-31 noticia

Um estudo realizado com 70 bebês de mães que contraíram zika registrou que quase 6% teve perda de audição, acrescentando o problema à lista de doenças que o vírus pode causar quando mulheres são infectadas durante a gravidez.

O estudo brasileiro, publicado nesta terça-feira no relatório semanal sobre mortes e doenças do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, confirmou relatos menos rigorosos sobre surdez entre bebês nascidos de mães infectadas pelo vírus da zika.

A descoberta é parte de um esforço para caracterizar de forma total as possibilidades que o vírus pode causar durante a gravidez. O vírus é mais conhecido por causar microcefalia, mas outros estudos indicam que a zika pode provocar outras anomalias cerebrais, problemas de visão e alterações nas juntas.

No estudo mais recente, uma equipe liderada pela doutora Marli Tenório e pelo doutor Ernesto Marques, da Fundação Oswaldo Cruz de Pernambuco, examinou registros de 70 bebês com microcefalia, cujas mães tiveram infecções confirmadas durante a gravidez.

Os pesquisadores descobriram que quase 6 por cento dos bebês tiveram perda de audição sem qualquer outra causa plausível.

Diversas outras infecções virais durante a gravidez podem causar perda de audição, incluindo rubéola e citomegalovírus, ou CMV. O estudo recente acrescenta o vírus da zika à lista.

Cientistas dizem que o vírus  agora pode ser considerado fator de risco para perda de audição, e crianças que foram expostas durante a gravidez e apresentam audição normal devem ser checadas regularmente para perda progressiva de audição.

A ligação entre o vírus e a microcefalia foi descoberta no Brasil em 2015 e já há mais de 1.800 casos confirmados.

Veja imagens da luta contra o mosquito causador da zika.

 

Casos de infeccao por zika sao confundidos com dengue

2016-08-30 noticia

Casos de infecção por zika estão sendo confundidos com a dengue e, com isso, a epidemia do vírus que causa a microcefalia pode estar sendo subestimada no país.

É o que sugere um estudo da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp), apoiado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Parte dos dados foi publicada neste mês no "Journal of Clinical Virology".

Foram analisadas amostras de sangue de 800 pacientes que tiveram diagnóstico inicial de dengue (com base em sintomas clínicos e/ou em testes sorológicos) neste ano.

As amostras passaram por exames moleculares —mais precisos. A dengue foi confirmada em apenas metade dos casos (400). Em outros cem, o diagnóstico real era de zika. Em um, era da febre chikungunya e o restante, outras viroses não transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti.

Segundo o virologista Maurício Lacerda Nogueira, coordenador do estudo e que integra a Rede Zika, essa confusão deve estar acontecendo em todo o país, já que a grande maioria dos diagnósticos é feita da mesma forma.

O infectologista Marcos Boulos, coordenador de controle de doenças da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, tem a mesma opinião. "Foi por isso que houve uma demora enorme em identificar o zika no Nordeste, no ano passado. Ele foi confundido com a dengue", lembra.

Até 9 de julho, o país tinha registrado 1,4 milhão de casos de dengue contra 174 mil casos prováveis de zika, segundo o Ministério da Saúde.

ERRO DE DIAGNÓSTICO

Os erros de diagnóstico ocorrem por duas razões: os sintomas clínicos (que norteiam os diagnósticos) são muito parecidos, e os atuais testes sorológicos resultam em muitos falsos-positivos.

"Todo mundo busca um teste mais específico, mas ainda não chegamos lá", diz Boulos. A única forma de ter certeza, explica Nogueira, é por meio de testes moleculares, como o PCR em tempo real.

Ocorre que eles são mais caros que os sorológicos e não estão disponíveis para toda a população. Os laboratórios públicos, como o Adolfo Lutz, priorizam mulheres grávidas e pessoas com suspeita de Guillain-Barré (uma das complicações neurológicas da infecção pelo zika).

Para ele, é fundamental buscar um diagnóstico correto, por meio de testes rápidos mais efetivos, que realmente discriminem as doenças. "Em termos individuais, é um direito do paciente saber o que ele tem", diz Nogueira.

No âmbito da saúde coletiva, toda a análise de custo e efetividade para incorporação de uma nova terapia –a vacina da dengue, por exemplo– depende de informações epidemiológicas corretas. Ou seja, se a estimativa do número de casos está errada, a avaliação de custo-efetividade será equivocada.

"Até um ano e meio atrás, os dados de dengue eram relativamente confiáveis. Agora a questão é: quantos desses casos tidos como dengue não são, na verdade, zika?"

Na sua opinião, não é possível mais se guiar pelas diferenças clássicas apontadas nos livros médicos. "Isso só serve para dar aula. Tem casos que só de olhar você já sabe se é dengue, zika ou chikungunya. Mas a grande maioria não é assim."

Segundo Nogueira, há o risco também que os casos de dengue comecem a ser subestimados e confundidos com zika. "Como todo mundo só fala em zika, podemos ter um fenômeno invertido."

Essa situação pode ser ainda mais perigosa, segundo ele, porque a dengue tem risco de morte se não tratada corretamente. "A zika, tirando a questão da gestante [risco de o bebê ter microcefalia], é uma doença benigna."

Segundo Boulos, a orientação é tratar todos como se fosse dengue. "É melhor pecar pelo exagero." Ele diz que os médicos do SUS passam por capacitação para saber diferenciar as viroses.

Italiana e a mae do primeiro bebe com material genetico do zika no cerebro

2016-08-29 noticia

Debora Diniz, autora do livro "Zika - Do sertão nordestino à ameaça global", revelou a identidade da "mulher eslovena" cujo bebê, morto na 32ª semana de gestação, entrou para a história da medicina como o primeiro a ter identificado o material genético do vírus zika no cérebro. O caso foi publicado na revista "The New England Journal of Medicine", em fevereiro de 2016.

Na realidade, Sofia Tezza é uma italiana de 25 anos que casou com um brasileiro. Contudo, o casamento acabou e ela voltou para a Itália aos seis meses de gestação, três meses depois de ter sido infectada pelo zika em Natal (RN), onde morava.

No Brasil, os ultrassons do feto pareciam normais. Na Itália, porém, ouviu de vários médicos que o cérebro do bebê estava comprometido e que o filho seria "um vegetal". A suspeita era de que um vírus havia causado a má-formação, mas ninguém ainda a relacionava com o vírus zika.

Sofia passou então a investigar por conta própria a relação entre o vírus que assolava o Nordeste e a má-formação de Pietro, o seu bebê.

A italiana chegou a enviar uma mensagem com a questão a um médico brasileiro em setembro de 2015, dois meses antes de o Ministério da Saúde confirmar a relação.

À autora, Sofia sustenta que Pietro morreu no útero. O artigo científico, porém, informa que, por causa da doença severa no cérebro e da microcefalia, a mãe solicitou que a gravidez fosse interrompida, o que ocorreu em um hospital na Eslovênia.

"Foi o único lugar onde fui tratada como ser humano, e meu bebê também. Lá eles organizaram uma celebração junto com outros bebês que voaram para o céu porque os bebês têm que ficar juntos."

PACIENTE ZERO

O paciente número zero afetado pelo vírus zika no primeiro mês de gestação é gêmeo com outro menino, que aparentemente não foi afetado. A família mora no município de Custódia (340 km de Recife). Ele foi nomeado paciente zero pela neurologista pernambucana Vanessa Van der Linden não por ser o primeiro afetado pelo zika, mas por despertar a medicina para a tragédia em curso.

O pai, Paulo, é professor de geografia e comerciante. Ele não quer saber de lamúria sobre o filho e se recusa a expor a família na imprensa.

Ele insiste numa pergunta: "Por que estamos isolados? Só em Custódia, há crianças com microcefalia meses mais velhas que meu filho", indaga na obra de Debora Diniz.

Os gêmeos completaram um ano em julho.

O isolamento não é geográfico. A família sabe por que o filho foi o paciente zero. Porque faz parte do topo da estratificação social.

Tem acesso a médicos e serviços privados de saúde, possui carro próprio, viaja 160 km várias vezes na semana para que o filho receba estímulo em um centro especializado no município vizinho.
"Há muitas, muitas mulheres sozinhas com suas crianças com microcefalia. Muitos bebês estão morrendo, outros precisam de internação."

Outra angústia que ainda persegue Paulo é a suspeita de que ainda hoje os médicos não sabem o que realmente está acontecendo: "Será que algo pode acontecer ao outro gêmeo", indagou à autora. Ele está certo: a medicina ainda não tem essa resposta.

Zika - Do sertão nordestino à ameaça global

Tratamento microcefalia: americanos levam experiencia de Recife para EUA

2016-08-26 noticia

Para ver toda a mátéria, basta acessar o endereço http://tvuol.uol.com.br/video/tratamento-microcefalia-americanos-levam-experiencia-de-recife-para-eua-04024E193662DCC95326

 

Confirmados casos autoctones de zika em Miami Beach

2016-08-23 noticia

Foram detectados cinco casos autóctones de zika em Miami Beach, o que estende a presença do vírus e o alerta de viagens ao coração turístico da cidade, informou nesta sexta-feira o governador da Flórida, Rick Scott, em uma coletiva de imprensa.

“Comprovamos cinco casos novos do vírus zika em Miami Beach”, afirmou Scott.

“Isso significa que temos uma nova zona de transmissão”, acrescentou.

Nas últimas semanas, foram detectados 36 casos de transmissão local por mosquitos deste vírus no sul da Flórida, mas até agora a epidemia se mantinha concentrada em uma área de 1,6 quilômetros quadrados em Wynwood, uma localidade artística no norte de Miami.

A nova zona afetada compreende 3,9 km quadrados no sul de Miami Beach, uma ilha célebre pelas suas construções de Art Decó em tons pastéis, sua vida noturna agitada e suas águas mornas azul-turquesa.

O vírus zika é transmitido principalmente através da picada do mosquito , mas também por contato sexual.

Na maioria dos casos, a infecção provoca apenas sintomas brandos, mas é particularmente perigosa para as mulheres grávidas, visto que pode causar malformações congênitas em fetos em desenvolvimento, como a microcefalia.

O vírus também é associado a transtornos neurológicos em adultos, como a síndrome de Guillain-Barré, que pode causar paralisia.

O diretor dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), Tom Frieden, disse em uma conferência telefônica que “a principal prioridade é que as mulheres grávidas evitem viajar para as zonas” onde o vírus está sendo transmitido ativamente.

O CDC pediu a todas as grávidas que tenham estado em Miami Beach a partir de 14 de julho que visitem um médico. Também recomendou que usem preservativos se seu parceiro sexual tiver visitado a área após essa data.

A propagação do zika na área de Miami gerou preocupação na indústria turística de que os visitantes podem passar a evitar esse destino popular.

Na sexta-feira, o prefeito de Miami, Tomas Regalado, disse à AFP que 15 eventos públicos em Wynwood foram cancelados nos últimos 10 dias, e que os cancelamentos se estendem até outubro.

“A maior preocupação é a Art Basel, que significa muito dinheiro. As pessoas comem em restaurantes de alto nível e ficam em hotéis de alto nível”, disse o prefeito, referindo-se à mostra internacional de arte em Miami, que está programada para o início de dezembro.

O prefeito disse que o resto da cidade pode sofrer consequências similares às que afetam Wynwood desde 29 de julho, quando foi anunciado o primeiro surto de transmissão local de zika nos Estados Unidos continental.

Miami inteira é motivo de preocupação “porque esses mosquitos não têm GPS” para ficarem nas áreas delimitadas, disse Regalado.

“Foi um desastre para a zona. As vendas caíram quase 50% nos restaurantes e lojas”, disse à AFP Joseph Furst, presidente do Wynwood Business Improvement District, que reúne os pequenos comerciantes da localidade.

Os Estados Unidos continental já registraram mais de 2.000 casos de zika nos quais o vírus foi contraído durante viagens para regiões afetadas na América Latina e no Caribe. Mais de 500 desses casos estão na Flórida.

Porto Rico, território americano, sofre uma epidemia severa de zika, com mais de 10.000 infectados, entre eles cerca de 1.000 mulheres grávidas.

 

Incidencia de zika cai, e Rio tem so um caso na semana antes da Olimpiada

2016-08-22 noticia

Considerada uma das ameaças ao sucesso da Olimpíada do Rio, a incidência do vírus zika na cidade caiu drasticamente na primeira semana de agosto, antes do início do evento. Apenas um caso da doença foi registrado no município no período, último dado disponível, segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) carioca. O balanço mostra que em todo o mês de julho houve 249 casos.

As estatísticas oficiais documentam a queda no número de infecções pela doença desde o início do ano. Em janeiro, foram 7.747 casos; em fevereiro, 7.425; em março, 7.170. Houve queda mais acentuada em abril, para 5.609, mas em maio (2.419) e em junho (801) houve recuos ainda maiores.

Para os Jogos, foi montado um esquema de fiscalização específico para as áreas olímpicas, que vistoria constantemente possíveis focos do mosquito. Desde abril, todas elas têm, pelo menos, um agente de vigilância ambiental de saúde credenciado e fixo.

Equipamentos de dimensões maiores e com cronograma de atividades mais extenso têm até três agentes, e ainda fiscais nos arredores. De acordo com a SMS, o combate ao mosquito é constante mesmo nos meses de inverno, considerados de menor incidência da doença.

Na capital fluminense, são cerca de 3.000 agentes para fazer o monitoramento em cada domicílio. O revezamento de casas permite que cada família seja visitada uma vez a cada três meses, e já contabiliza 7,3 milhões de inspeções em 2016, até a primeira semana de agosto. Foram eliminados 618,4 mil depósitos de água parada e tratados 1,6 milhão. Em 2015, foram mais de 10 milhões de visitas.

Previsível

Para Roberto Medronho, professor de Epidemiologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a diminuição dos casos está dentro do esperado para esta época. "A temperatura não é elevada e chove menos do que no verão, o que dificulta a reprodução."

O professor explica que outro fator que respondeu pela diminuição dos casos foi a intensificação das visitas residenciais para monitoramento do vírus, com a aproximação da Olimpíada. Mas Medronho alerta que casas abandonadas ainda atrapalham o controle do vírus.

Segundo o professor, apesar do controle intensivo, novas epidemias não estão descartadas quando as altas temperaturas voltarem.

BRASIL TORNOU O ZIKA VÍRUS UMA PREOCUPAÇÃO MUNDIAL

 

Infeccao por zika tambem afeta celulas cerebrais de adultos

2016-08-19 noticia

Uma nova pesquisa realizada por cientistas norte-americanos revela que a infecção por zika mata células-tronco neurais em camundongos adultos. De acordo com a pesquisa, publicada nesta quinta-feira, 18, na revista científica "Cell", ainda não foi estudado se a morte dessas células tem algum efeito de curto ou longo prazo nos animais adultos.

Os fetos têm quantidade muito maior das células que dão origem aos neurônios e já foi provado que o vírus zika as destrói, causando microcefalia e outras más-formações. Em adultos, em menor quantidade, essas células são fundamentais para a memória e para o aprendizado.

A pesquisa foi feita por pesquisadores da Universidade Rockefeller e do Instituto La Jolla de Alergia e Imunologia, ambos nos Estados Unidos. Segundo eles, a maior parte dos adultos humanos não apresenta sintomas quando são infectados por zika, exceto febre e vermelhidão na pele.



No entanto, a crescente incidência da Síndrome de Guillain-Barré ligada à zika tem levantado suspeitas de que o vírus produza impactos negativos no cérebro adulto.

"Nós queríamos saber se o zika tem mais efeitos em neurônios em formação do que em qualquer outra parte do cérebro adulto. Descobrimos que há algo especial nessas células que permite que o vírus entre nelas e afete sua proliferação", declarou um dos autores da pesquisa, Joseph Gleeson, da Universidade Rockefeller.

"Esse é o primeiro estudo a investigar o efeito da infecção por zika no cérebro adulto. Com base nas nossas descobertas, ser infectado pelo vírus pode não ser tão inócuo para os adultos como se pensava."

Gleeson teve a colaboração da infectologista Sujan Shresta, do Instituto La Jolla, que criou modelos de camundongos para estudar a ação do zika, "desligando" as moléculas antivirais que naturalmente ajudam os roedores a resistir à infecção. Os cientistas então injetaram uma linhagem atual do vírus na corrente sanguínea dos animais.

Três dias depois, segundo o estudo, os camundongos adultos foram analisados e os pesquisadores usaram anticorpos para identificar a presença do zika. Os cientistas descobriram que as partículas do vírus estavam cercando as células-tronco neurais. Nos seus cérebros, a proliferação dos neurônios em formação havia caído de quatro a 10 vezes.

"A formação dos neurônios em adultos está ligada ao aprendizado e à memória. Nós não sabemos o que isso significa em termos de doenças humanas, ou se os comportamentos cognitivos dos indivíduos podem sofrer impacto depois da infecção", afirmou Shresta.

Contra epidemia, Congo inicia campanha massiva de vacinacao contra febre amarela

2016-08-18 noticia

Dakar - Dezenas de organizações iniciaram uma campanha de emergência de vacinação contra a febre amarela no Congo para tentar impedir que o surto se espalhe para além das fronteiras do país.

ONGs como os Médicos Sem Fronteiras, Save the Children e outras se juntaram ao governo local e à Organização Mundial da Saúde (OMS) para tentar vacinar 10,5 milhões de pessoas nos próximos dez dias. A campanha focará na capital Kinshasa, na fronteira com Angola, onde o surto iniciou.

A organização Save The Children alertou que o vírus se espalha com a ajuda de mosquitos e pode logo atingir as Américas, a Ásia e a Europa. Fonte: Associated Press.

 

Brasil vacina mais de meio milhão de pessoas contra a dengue

2016-08-16 noticia

A primeira campanha de vacinação contra a dengue na América começou neste sábado no Brasil, onde meio milhão de pessoas receberão a primeira vacina autorizada no mundo contra esta doença, anunciou o laboratório que a produz.

A empresa francesa Sanofi Pasteur informou em um comunicado que a campanha, que será realizada no Paraná, é o “primeiro programa público de vacinação contra a dengue no continente americano”.

A “Dengvaxia”, primeira vacina autorizada para a prevenção da dengue, precisou de 20 anos de pesquisas e 1,5 bilhão de euros de investimentos. México, Filipinas, El Salvador e Costa Rica já a homologaram.

“Vamos vacinar, nas próximas três semanas, todos os indivíduos de 15 a 27 anos de 28 localidades e, nas duas regiões de nosso estado onde a dengue está mais presente, todos os indivíduos de nove a 44 anos”, anunciou Michele Caputo Neto, secretária-geral de Saúde, citada no comunicado.

Segundo ela, a campanha de vacinação pode “implicar em cinco anos uma redução de 74% da doença nestas localidades muito afetadas”, com base em um estudo publicado no Brazilian Journal of Health Economics.

No Paraná, que conta com 10 milhões de habitantes, a incidência da dengue e o número de falecimentos devido a esta doença triplicaram nos últimos anos, segundo o grupo farmacêutico.

A dengue, uma doença febril transmitida pelos mosquitos, matou mais de 800 pessoas em 2015 no Brasil.

Porto Rico possui mais de 10 mil casos de virus zika

2016-08-15 noticia

Porto Rico informou nesta sexta-feira (12) que durante a semana passada foram reportados 1.914 novos casos de pessoas com o vírus zika.

De acordo com a secretária de Saúde, Ana Rius, no total existem 10.690 casos identificados, incluindo 1.035 em mulheres grávidas. Rius disse que 90 pessoas foram hospitalizadas por causa do vírus.

As autoridades também afirmaram que 30 pessoas foram diagnosticadas com Guillain-Barre, uma doença que causa paralisia temporária e que está ligada ao vírus zika.

As mais recentes estatísticas foram divulgadas um dia depois de um cirurgião geral dos EUA visitar Porto Rico e dizer que estima que 25% da população será infectada pelo vírus até o final do ano.

 

Disseram que teria horas de vida, diz mae de bebe de 1 ano vitima da zika

2016-08-12 noticia

Há um ano, Danielle Cândida da Costa, 33, ouviu do médico que o filho dela poderia ter apenas "umas horinhas de vida". A conversa foi tida logo após ela dar à luz David Miguel. "Eu tinha acabado de parir e ouvi isso da forma mais fria possível. Fiquei arrasada", conta.

Apesar do prognóstico, o menino, que tem microcefalia, completou um ano de vida no fim de julho. "Esse ano que passou representa uma vitória para mim. O médico só faltou dizer que, se ele sobrevivesse, ia ser um vegetal", conta a mãe, moradora do Recife.

David está entre os primeiros bebês a serem diagnosticados com microcefalia numa época que os médicos ainda não tinham ideia de que a infecção pelo vírus da zika poderia causar deformações neurológicas em bebês durante a gestação.

Foi o número de casos registrados em junho e julho que deu início às investigações que descobriram uma epidemia de microcefalia no país. Até agora, já foram confirmados 1.749 bebês com microcefalia ou alterações no sistema nervoso central por causa do vírus da zika. Desses, 376 nasceram em Pernambuco.

Adriana Cordeiro da Silva, 29, trabalhava como ajudante em uma clínica em Custódia (PE), no sertão pernambucano, até o nascimento de seu filho José Bernardo, no fim de junho. Foram quatro meses até Adriana descobrir que a dificuldade de desenvolvimento de seu filho era consequência da microcefalia.

Desde então, duas vezes por semana, Adriana passa seis horas em um carro disponibilizado pela prefeitura para levar o filho para suas terapias no Recife. Para isso, sai de casa à 1h da manhã. Em outros dois dias, a viagem é mais curta pois o atendimento é feito em Arcoverde, a uma hora de Custódia.

A gente lutou muito para conseguir esse carro. Tenho medo de perder porque ir para as terapias é fundamental para ele."

Desenvolvimento a passos lentos

Elaine Michelle soube que o filho tinha microcefalia há um ano, logo após dar à luz

 

Mesmo com acompanhamento médico e fisioterapias, os bebês se desenvolvem mais lentamente que outras crianças. Mãe de João Gabriel, Elaine Michelle dos Santos, 29, conta que com um ano, ele não senta sozinho.

A visita diária às terapias no Recife está dando resultado. Antes, conta ela, João tinha os membros bem rígidos, agora consegue movimentar mais os braços e as pernas e manter o pescoço firme. "São pequenas evoluções, mas quem convive percebe. Cada dia é uma vitória", diz. 

Sei que ele é feliz do jeitinho dele porque tem uma família que o ama muito. Eu espero que ele fale, mas se não falar não tem problema."

Além da microcefalia, o bebê de Adriana Cordeiro da Silva também desenvolveu um problema no quadril que o tem impedido de dar os primeiros passos. "Quando a gente coloca ele em pé, já ensaia dar umas passadinhas. Mas vai ter que fazer uma cirurgia no quadril porque o médico viu que ele pisa com um pé em cima do outro", diz a mãe.

Há estudos que mostram que a zika faz com que os bebês desenvolvam uma síndrome que provoca, além de lesões neurológicas, graves deformidades nas articulações, especialmente em braços e pernas.

A dificuldade de conseguir o benefício

Após um ano do início da epidemia de microcefalia no Brasil, pais de bebês vítimas da zika têm tido dificuldade de conseguir o benefício no valor de um salário mínimo. Há uma longa fila de espera de famílias de baixa renda.

O benefício é essencial para quem precisa de cuidados especiais com seus filhos. "Hoje só meu marido trabalha em casa. Eu recebo um benefício de R$ 880, que me ajuda demais, além de ter o passe livre no transporte público", conta Elaine, que, após quatro meses de espera, conseguiu o benefício quando o filho já tinha oito meses.

Somente nos primeiros três meses de 2016, havia no INSS pelo menos 2.000 pedidos de concessão do auxílio para menores de um ano - número muito acima da média. Apesar de terem baixa renda comprovada, pais que tiveram o pedido do benefício negado têm entrado na Justiça pelo direito. 

FAMÍLIAS DE BEBÊS COM MICROCEFALIA SOFREM COM NEGLIGÊNCIA DO GOVERNO

 

Zika leva a deformidade nas juntas, diz estudo brasileiro

2016-08-11 noticia

Um novo estudo desenvolvido por cientistas brasileiros descreveu pela primeira vez com detalhes como a infecção por zika em mulheres grávidas faz com que os bebês desenvolvam artrogripose, síndrome que provoca graves deformidades nas articulações, especialmente em braços e pernas. A pesquisa, publicada na revista científica BMJ, analisou sete bebês que nasceram em Pernambuco com infecção por zika.

De acordo com a autora principal do estudo, Vanessa Van Der Linden, neuropediatra do Hospital Barão de Lucena, no Recife, a análise mostrou que a artrogripose dos bebês não está relacionada a anomalias específicas das articulações, mas tem origem neurogênica, isto é, ligada ao processo de formação dos neurônios.

"Dois estudos anteriores, feitos no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro, já haviam identificado três pacientes com zika e artrogripose, levantado a possibilidade de que a má-formação também estivesse ligada à infecção pelo vírus. Mas até agora nenhum trabalho havia descrito as deformidades em detalhes nem investigado se ela tem origem neurogênica", disse Vanessa à reportagem.

Segundo a pesquisadora, a artrogripose pode estar relacionada a várias causas e é diagnosticada quando há deformidades em articulações em pelo menos duas partes diferentes do corpo. Para estabelecer a relação com a zika, os cientistas excluíram todas as outras possíveis causas da má-formação, usando exames de tomografia computadorizada e ressonância magnética.

"Fizemos estudos detalhados dos cérebros e das articulações de sete crianças com artrogripose e diagnóstico de infecção congênita por zika. Nenhuma delas apresentava alguma das demais causas desse tipo de deformidade congênita", disse.

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Microcefalia

Seis das sete crianças tinham microcefalia e todas apresentavam sinais de calcificação no cérebro, problema causado pelo acúmulo de cálcio nos tecidos cerebrais. Segundo Vanessa, a hipótese é de que o vírus da zika destrói células do cérebro, formando lesões semelhantes a "cicatrizes", onde o cálcio é depositado.

Ao observar as imagens de alta definição das articulações e dos tecidos próximos, os cientistas descobriram que não havia anomalias na parte óssea nem nos ligamentos. "Isso nos levou a concluir que a artrogripose tinha origem na parte neurológica. Por isso, fomos investigar", afirmou Vanessa.

A principal hipótese é de que a má-formação seja produzida por um processo que envolve os neurônios motores - as células cerebrais que controlam a contração e o relaxamento dos músculos -, levando a posturas fixas no útero que provocariam as deformidades. "Observamos também que quatro crianças apresentavam uma medula espinhal mais fina do que o normal e danos cerebrais, mostrando que realmente existe uma associação entre a artrogripose e as consequências neurológicas da infecção por zika", disse a pesquisadora.

Segundo Vanessa, o estudo ajudará a entender melhor os sintomas provocados pelo vírus zika, o que contribuirá para entender seus mecanismos de infecção. Os cientistas recomendam na pesquisa que a síndrome da zika congênita seja acrescentada ao diagnóstico diferencial de infecções congênitas e de artrogripose.

O fato de um dos bebês não ter microcefalia também é relevante, segundo Vanessa. "Isso nos levou a concluir que não há uma correlação necessária entre a gravidade da infecção por zika, uma vez que o caso de uma das crianças não era grave, com a artrogripose." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Anvisa proibe venda de extrato e molho de tomate com pelo de roedor de 5 marcas

2016-07-29 noticia

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a comercialização e a distribuição de quatro lotes de extrato de tomate das marcas Amorita, Predilecta, Aro e Elefante, além de um lote de molho de tomate tradicional da marca Pomarola.

A punição às cinco marcas se deu com base em laudos que detectaram matéria estranha indicativa de risco à saúde humana - pelo de roedor - acima do limite máximo de tolerância pela legislação vigente. As empresas terão de recolher os estoques dos produtos existentes no mercado.

As decisões da Anvisa estão publicadas em resoluções no Diário Oficial da União (DOU) desta quinta-feira (28).

A primeira refere-se ao lote L 076 M2P e validade de 01/04/2017 do extrato de tomate Amorita, fabricado por Stella D'Oro.

A segunda, ao extrato de tomate Predilecta lote 213 23IE e validade 03/2017, e extrato de tomate da marca Aro, lote 002 M2P, válido até 05/2017.

A terceira trata do molho de tomate tradicional Pomarola lote 030903 e validade 31/08/2017 e também do extrato de tomate Elefante lote 032502 e validade 18/08/2017.

As empresas não se manifestaram.

Nova vacina contra dengue deve chegar às clínicas particulares na próxima semana

2016-07-28 noticia

A nova vacina contra a dengue, produzida pelo laboratório Sanofi Pasteur, deve chegar às clínicas particulares de todo o país na próxima semana. O anúncio foi feito pela empresa nesta quarta-feira, 27.

"Os pedidos são feitos por clínicas que já têm cadastro na empresa, que já entregaram toda a documentação. Possivelmente, a vacina vai estar disponível na semana que vem no Brasil inteiro", diz Sheila Homsani, diretora médica da Sanofi Pasteur.

Pretende se vacinar contra a dengue?

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Resultado parcial

Chamada de Dengvaxia a vacina é a única que tem registro na Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária), que determinou que ela vai custar entre R$ 132,76 e R$ 138,53 cada dose --fora custos de aplicação.

A vacina será aplicada em três doses, com intervalos de seis meses entre elas, e não poderá ser tomada por alguns grupos, entre eles gestantes e pessoas com doenças que afetem o sistema imunológico.

Não há definições sobre a inclusão do imunizante no calendário nacional de imunização.

A Dengvaxia é destinada para pessoas dos 9 aos 45 anos e foi testada em 15 países. Foram realizadas 25 pesquisas com mais de 40 mil pessoas.

Tire suas dúvidas

1) O que é a vacina aprovada pela Anvisa?

A Dengvaxia é a primeira vacina registrada contra a dengue no Brasil. O medicamento é destinado ao público entre 9 e 45 anos de idade e é contra indicado para gestantes, mulheres em período de amamentação e pessoas em tratamento médico de doenças graves, a exemplo do câncer. A vacina tem que ser aplicada em três doses, a cada seis meses.

Ela é mais eficiente em pessoas que já contraíram dengue do que em pessoas que nunca tiveram a doença, afirma a Anvisa.

2) Qual a diferença entre esta e a vacina do Butantã?

A vacina desenvolvida pelo Instituto Butantã ainda está na fase final de testes, mas tem apresentado resultados melhores do que a vacina criada pela Sanofi Pasteur. "Os resultados são animadores. A vacina do Butantã poderá ser mais barata e mais eficaz para os quatro sorotipos do vírus da dengue, além de ser necessária apenas uma dose para sua aplicação", explica a infectologista Mônica Jacques de Moraes.

Não há previsão para aprovação final da vacina do Instituto Butantã pela Anvisa. A Fundação Oswaldo Cruz e o laboratório japonês Takeda também desenvolvem suas vacinas contra a doença.

3) A vacina contra dengue também protege contra o vírus da zika?

Não. "O vírus da zika e o vírus da dengue são transmitidos pelo mesmo mosquito, o Aedes aegypti, mas esta vacina só protege a pessoa contra o vírus da dengue. Portanto, a pessoa que receber esta vacina, não estará protegida contra o vírus da zika que causa a microcefalia em bebês, ou contra o chikungunya," explica a diretora da Sociedade Brasileira de Infectologia, Mônica Jacques de Moraes. Ela lembra que a dengue é uma doença infecciosa causada por quatro sorotipos de arbovírus (DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4).

Nasce na Espanha 1° bebe com microcefalia provocada por zika na Europa

2016-07-27 noticia

Uma mulher infectada por zika deu à luz nesta segunda-feira na Espanha o primeiro bebê com microcefalia nascido na Europa após o surto do vírus, informaram os responsáveis do hospital onde o nascimento ocorreu, em Barcelona.

Em maio passado, o bebê se tornou o primeiro na Espanha a ser diagnosticado com microcefalia, e o segundo na Europa, atrás de outro feto afetado na Eslovênia, mas neste caso foi realizado um aborto para interromper a gravidez.

A mulher se infectou pelo vírus da zika em um viagem a um país latino-americano, que não foi identificado pelas autoridades.

"O bebê não precisou de nenhuma reanimação específica. Encontra-se clinicamente bem, com funções vitais normais e estáveis", disse em uma coletiva de imprensa Félix Castillo, diretor do serviço de neonatologia do hospital Vall d'Hebron de Barcelona, na região da Catalunha. 

O recém-nascido, cujo sexo não foi revelado por questões de privacidade, está sendo "monitorado" constantemente, e os primeiros exames realizados confirmaram que ele "tem o perímetro craniano menor que o habitual e que tem microcefalia", acrescentou Castillo.

Consequências do zika

O vírus zika, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, está associado a malformações congênitas graves e irreversíveis, entre elas a microcefalia do feto, que se caracteriza por um desenvolvimento deficiente do cérebro e do crânio.

Devido à microcefalia, "o cérebro não cresceu, e se não cresceu, não vai funcionar bem", afirmou Castillo. "Isso implica uma vida muito dependente de cuidados", acrescentou.

O parto foi feito por cesariana após quarenta semanas de gravidez. "A evolução da mãe é muito boa", e tanto ela como o pai da criança "estão muito emocionados" com o nascimento, afirmou Elena Carreras, diretora do serviço de obstetrícia do hospital.

Outros casos na Espanha

A Espanha é um dos países europeus mais afetados pelo zika. O vírus atingiu com virulência especial a América Latina e o Caribe, cujos cidadãos representam 21,8% do total de estrangeiros no país, de modo que as viagens para essas regiões são frequentes.

Segundo dados do Ministério da Saúde de 22 de julho, há 190 pessoas infectadas pelo zika na Espanha. Todas elas contraíram a doença em viagens para zonas afetadas pelo zika, com exceção de um caso de transmissão sexual na região de Madri.

Trata-se de uma mulher infectada pelo seu companheiro, que tinha viajado para um país latino-americano na primavera boreal, informaram as autoridades sanitárias no início de julho.

Em junho, foi detectado o segundo caso de feto com microcefalia associada ao zika no país. Nesta ocasião, a mãe, que observou os sintomas da doença enquanto morava na América Latina e depois se mudou para a Espanha, decidiu abortar, segundo o Ministério da Saúde.

O surto atual de zika apareceu na América Latina em 2015 e se propagou rapidamente pela região. Com cerca de 1,5 milhão de infectados, o país mais afetado é o Brasil, que em poucos dias receberá uma avalanche de visitantes para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

Desde outubro, 8.571 casos de microcefalia associada ao zika foram notificados no Brasil, dos quais 1.709 foram confirmados, com 102 mortes, segundo o último boletim divulgado pelo Ministério da Saúde.

Segundo um estudo publicado nesta segunda-feira na revista científica Nature Microbiology, "dezenas de milhares" de bebês podem nascer com severos transtornos associados ao vírus zika durante a atual epidemia na América Latina e no Caribe.

No total, 93,4 milhões de pessoas podem ser infectadas com o vírus da zika durante a atual epidemia, entre elas 1,65 milhão de mulheres grávidas, embora em 80% dos casos as infecções seriam benignas ou passariam inadvertidas, destacam os autores.

Proteina-chave pode acelerar producao de vacina contra o virus da zika

2016-07-26 noticia

Pesquisadores norte-americanos decifraram uma proteína-chave produzida pelo vírus da zika que o ajuda a se reproduzir no corpo de pessoas infectadas e interage com o sistema imunológico do paciente. A descoberta pode acelerar a produção de uma vacina, afirma Janet Smith, da Universidade de Michigan, líder do estudo publicado nesta segunda-feita (25) na conceituada revista Nature Structural and Molecular Biology.

"Quando a pessoa está infectada por zika, essa proteína, a NS1, está no sangue do paciente, e ela pode virar um alvo da vacina", explicou Smith à DW Brasil.

Segundo a pesquisadora, agora que a estrutura da NS1 é conhecida por completo, cientistas poderão avaliar qual parte da proteína pode ser usada com maior eficiência na produção de uma vacina contra o vírus. A NS1 pode ser usada ainda para melhorar o diagnóstico - o zika, do gênero dos flavivírus, é muitas vezes confundido com o vírus da dengue em testes de laboratório.

Além do Aedes aegypti, o pernilongo comum também transmite o vírus zika, que pode causar microcefalia congênita e síndrome de Guillain-Barré. Até o momento, 1.709 casos de microcefalia foram confirmados no Brasil, segundo informações do Ministério da Saúde.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que a infecção por zika foi registrada em pelo menos 60 países.

 

Patrice Coppee/AFP
O Aedes aegypti é o vetor transmissor dos vírus da dengue, zika e chikungunya

 

O papel da NS1

A NS1 é conhecida dos pesquisadores: além do zika, ela também é produzida por outros flavivírus, como dengue, febre amarela e febre do Nilo Ocidental. "Mas a proteína tem muitas funções que ainda não são bem compreendidas", comenta Smith, que se dedica ao estudo da molécula há mais dez anos.

Já se sabe que a NS1 participa ativamente das infecções virais. Dentro das células infectadas, ela ajuda a fazer cópias do vírus e contaminar outras células. Pesquisadores afirmam que as células doentes escondem "pacotes" da proteína na corrente sanguínea do infectado, e um nível mais elevado de NS1 estaria associado à manifestação de doenças mais graves.

O grupo passou anos tentando isolar a proteína em sua forma pura. Em 2013, pesquisadores conseguiram esse feito para os vírus da dengue e da febre do Nilo Ocidental. Na ocasião, os cientistas usaram um método conhecido como cristalografia, que estuda a matéria numa escala atômica, para visualizar a proteína em 3D. "Quando a crise causada pela infecção por zika surgiu, colocamos como meta determinar a estrutura 3D da proteína NS1 do zika", contou Smith.

"Apesar da semelhança com outros vírus relacionados, descobrimos que a estrutura da NS1 do zika apresenta algumas diferenças importantes", diz Willian Clay Brown, um dos autores da pesquisa da Universidade de Michigan. As avaliações indicam que a molécula produzida pelo zika pode interagir de outra forma com o sistema imunológico do infectado.

Richard Kuhn, pesquisador da Universidade de Purdue, que também participou do estudo e fez parte do time que identificou, pela primeira vez, a estrutura completa do vírus zika, acredita que compreender a NS1 e suas funções é fundamental para enfrentar a epidemia. "Esse conhecimento nos ajuda a identificar alvos para que os inibidores bloqueiem importantes processos virais e tratem a infecção", adiciona Kuhn.

Corrida pela vacina

O vírus da zika circula em vários continentes há alguns anos, mas se tornou uma emergência internacional após a infecção pelo vírus ser associada a doenças graves, como microcefalia em recém-nascidos e síndrome de Guillain-Barré. Até o momento, não existe uma vacina contra o vírus. Em todo o mundo, pesquisadores e empresas correm contra o tempo para atingir resultados confiáveis e iniciar testes clínicos.

A situação de alerta fez com que a colaboração entre pesquisadores aumentasse, avalia Smith. "Por isso, deveremos fazer um progresso mais rápido que o usual no sentido de entender os perigos e opções de tratamento", comenta. A pesquisadora ressalta que a experiência acumulada no combate a outras epidemias que causaram muitas mortes, como SARS e ebola, trouxe mudanças.

"A cooperação do compartilhamento de informações são essenciais. Por outro lado, não teremos respostas tão sólidas num período curto de tempo - certamente não antes dos Jogos Olímpicos", diz Smith, às vésperas do início do evento no Rio de Janeiro.

Transmissao da zika por pernilongo comum requer mudança 'radical' em medidas de controle

2016-07-25 noticia

  • Cientista da Fiocruz Pernambuco encontrou pela primeira vez esse tipo de mosquito carregando zika na natureza

A bióloga Constância Ayres, da Fiocruz Pernambuco, fez uma descoberta inédita que tem o potencial de proporcionar um salto no conhecimento dos cientistas sobre o vírus Zika, e mudar radicalmente a estratégia brasileira de prevenção dele.

Ayres conseguiu encontrar, pela primeira vez, pernilongos carregando o vírus na natureza.

Na quinta-feira, a Fiocruz anunciou oficialmente que o mosquito Culex quinquefasciatus, conhecido como muriçoca ou pernilongo doméstico, também pode transmitir o vírus que causa microcefalia e malformações em bebês.

Até então, cientistas acreditavam que o mosquito Aedes aegypti era o principal vetor do vírus no Brasil. Agora, de acordo com Ayres, os cientistas precisam determinar qual das duas espécies é a mais importante na epidemia de Zika no Brasil.

Durante o anúncio, a Fiocruz afirmou que, até que se compreenda a importância do pernilongo na epidemia, a política de controle da Zika continuará focada no Aedes aegypti.

Mas dependendo dos resultados, seria necessária uma "mudança radical" na atual estratégia atual de controle da epidemia, afirma a pesquisadora.

"Não existem estratégias de controle do Culex no Brasil. Isso vai ter de mudar radicalmente", diz.

Em entrevista à BBC Brasil, Ayres esclareceu a dúvidas sobre o andamento da pesquisa e as implicações de sua descoberta.

1. Como determinou-se que o pernilongo pode transmitir o vírus Zika?

A pesquisa analisou 500 pernilongos capturados na Região Metropolitana do Recife. Eles foram obtidos em locais onde havia casos notificados de Zika, segundo Ayres, para aumentar a possibilidade de se encontrar o vírus no ambiente.

Os pernilongos foram divididos em 80 grupos, e o vírus foi encontrado em três deles. Em dois destes grupos, de acordo com a Fiocruz, os mosquitos não estavam alimentados. Isso demonstra "que o vírus estava disseminado no organismo do inseto e não (foi contraído) em uma alimentação recente num hospedeiro infectado".

No laboratório, a equipe de Ayres alimentou os mosquitos com uma mistura de sangue e vírus, para entender como o Zika se replica dentro dos insetos.

Em seguida, os pesquisadores investigaram o intestino e a glândula salivar dos mosquitos. Se o pernilongo não fosse vetor, seu intestino bloquearia o desenvolvimento do vírus dentro do organismo.

Mas, se o vírus conseguisse se replicar, ele chegaria até a glândula salivar do Culexe poderia ser transmitido para humanos durante a picada.

Dessa forma, a equipe de Ayres confirmou que o Culex pode carregar o vírus em seu organismo. Amostras da saliva dos pernilongos infectados foram analisadas, e continham quantidades de vírus semelhantes às encontradas na saliva do Aedes aegypti.

Segundo Ayres, outra descoberta da Fiocruz Pernambuco dá força à hipótese: um grupo de pesquisa percebeu que a distribuição geográfica da filariose (elefantíase) e do Zika vírus em Recife é muito semelhante.

Em Recife, o Culex quinquefasciatus é o único mosquito que transmite o parasita que causa a elefantíase. "Somos a única área do Brasil endêmica para essa doença", explica a bióloga.

"Cerca de 85% das mães que tiveram bebês com microcefalia por causa do Zika estão em áreas muito precárias, sem saneamento básico, onde ocorre mais a filariose. Isso pode explicar a participação do Culex na transmissão da Zika e dar suporte à nossa hipótese."

"O Aedes aegypti, por outro lado, está mais distribuído na cidade. Vemos que a dengue é uma doença bem democrática, não está só em áreas precárias", afirma.

2. O pernilongo também pode ser vetor de tranmissão de dengue e chikungunya?

De acordo com a Fiocruz, a pesquisa deu prioridade ao vírus Zika por causa da epidemia da doença no Brasil e sua ligação com a microcefalia.

Apesar da epidemia de chikungunya, que também atinge principalmente Estados do Nordeste, ainda não se sabe se esta doença também pode ser transmitida pelo Culex.

Ayres afirma que o vírus da dengue já foi encontrado em pernilongos coletados em campo, mas ainda não se confirmou se ele pode ser seu vetor.

3. Quais são os próximos passos da pesquisa?

Segundo Ayres, sua equipe agora investigará qual é exatamente a capacidade vetorial do Culex, ou seja, quão eficiente ele é para carregar e transmitir o vírus.

"Já sabemos que a taxa de infecção natural do Culex é semelhante à do Aedes aegypti, mas isso envolve outros aspectos biológicos do mosquito na natureza: o tamanho da sua população, a longevidade dessas espécies, o número de picadas que dão no homem, se preferem se alimentar do sangue humano ou não", afirma.

"Quando tivermos essas informações, poderemos saber qual das duas espécies tem maior importância na transmissão do Zika."

De acordo com a bióloga, a população de pernilongo em Recife é 20 vezes maior que a do Aedes aegypti. Mas, apesar desta vantagem populacional do Culex, oAedes pica mais vezes uma pessoa para se alimentar.

É necessário entender, por exemplo, se picar várias vezes faz do Aedes vetor mais competente de transmissão do vírus.

A equipe pernambucana também investiga a possibilidade de a fêmea do pernilongo transmitir o vírus para sua prole ainda nos ovos.

"Coletamos os ovos dos mosquitos infectados, as larvas eclodiram, deixamos crescer até virarem adultos e congelamos o material. Vamos analisá-lo", explica Ayres.

"Se conseguirmos detectar o Zika, significa que eles contraíram o vírus da mãe. Isso tem importância epidemiológica, porque é mais uma forma de o vírus se manter presente na natureza.

Ele poderia permanecer no ambiente sem necessariamente ter de passar por humanos."

No ciclo de transmissão de doenças como o Zika, o Aedes aegypti pica uma pessoa doente, se infecta e leva o vírus para outras pessoas. Ele não transmite o Zika, até onde se sabe, a seus ovos.

4. Se o pernilongo for o principal transmissor, qual seria o impacto desta descoberta?

Para Ayres, isso significaria a necessidade de alterar a estratégia atual de controle da epidemia de Zika, completamente focada no controle da população do Aedes aegypti.

"Não existem estratégias de controle do Culex no Brasil. Isso vai ter de mudar radicalmente, e é por isso que as autoridades exigem muita cautela e mais comprovação. É natural que seja assim", diz.

O pernilongo tem hábitos diferentes do Aedes aegypti. É mais ativo à noite, por exemplo, o que tornaria importante a proteção com repelentes e roupas compridas também neste horário, especialmente para gestantes.

Ele também prefere colocar seus ovos em locais extremamente poluídos como esgotos, fossas e canaletas, o que, segundo a pesquisadora, tornaria as medidas de saneamento básico ainda mais "urgentes" para evitar novos casos de Zika e microcefalia em bairros mais precários.

"O saneamento básico não erradicará o mosquito, mas vai ajudar no seu controle populacional. As medidas de saneamento ajudam a manter o mosquito em um nível no qual não teremos grande epidemia, apenas casos esporádicos da doença."

5. A descoberta do Culex como vetor do Zika é preocupante para outros países do mundo?

De acordo com a bióloga, o Culex quinquefasciatus está presente em todas as áreas urbanas de regiões tropicais, subtropicais e temperadas - de clima mais frio, como países do Norte da Europa, Canadá e Austrália. Já o Aedes aegypti fica restrito às regiões tropicais e subtropicais.

Ela esclarece, no entanto, que mostrar a capacidade do Culex de transmitir Zika no Brasil não significa que o mesmo ocorreria, por exemplo, nos Estados Unidos.

"Existe a possibilidade, mas cada população deve ser investigada, principalmente porque o Culex quinquefasciatus, que é o que temos no Brasil, é parte de um complexo de espécies", diz.

"Nos Estados Unidos existem outras subformas dessa espécie de mosquito. E não sabemos ainda se a competência vetorial de todas as espécies é a mesma."

(*) Colaborou Gabriela Belém, do Recife para a BBC Brasil

Zika e detectado em esperma 3 meses depois da infeccao, tempo recorde

2016-07-22 noticia

O vírus da zika foi detectado no esperma de um francês 93 dias depois dos primeiros sintomas da infecção, ultrapassando o recorde anterior observado, de 62 dias, segundo um artigo publicado na quinta-feira na revista médica britânica The Lancet.

O homem, de 27 anos, mostrou alguns sintomas leves - fraqueza, dores musculares e conjuntivite - pouco depois de regressar de uma viagem a Tailândia, no final de 2015.

O paciente, que sofre de câncer, tinha decidido congelar seu esperma antes de começar uma quimioterapia. Foi isso que levou um laboratório a realizar os testes que detectaram o zika.

Não foi encontrado nenhum vestígio do vírus na urina nem no sangue do paciente, ressaltaram os pesquisadores, entre eles Jean Michel Mansuy, do laboratório de virologia do Centro Hospitalar Universitário de Toulouse, na França.

Sexo protegido por seis meses

Na maioria dos casos, o vírus é transmitido por picadas de mosquito, mas o contágio também ocorre através de relações sexuais ou pelo contato com sangue infectado.

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) recomendam atualmente que os homens infectados pelo zika não tenham relações sexuais sem proteção durante seis meses.

Para os homens cujas parceiras estejam grávidas, os CDC aconselham utilizar preservativos durante toda a gestação.

O zika foi associado a malformações graves e irreversíveis, como a microcefalia, que prejudica o desenvolvimento cerebral e afeta bebês de mulheres que foram infectadas pelo zika durante a gravidez.

Os autores do artigo sugerem que, em relação à transmissão por via sexual, "as recomendações dos CDC sejam regularmente atualizadas para levar em conta a evolução da pesquisa científica sobre o zika, especialmente à luz dessa descoberta, que mostra que o vírus pode permanecer no esperma durante vários meses".

Catorze pessoas nos Estados Unidos foram infectadas pelo zika através de relações sexuais, segundo as últimas estatísticas dos CDC, divulgadas em 13 de julho.

Os sintomas mais frequentes do vírus são erupções cutâneas e dores musculares e nas articulações. Em 80% dos casos, a infecção passa despercebida, e raramente é mortal.

Brasil tem 1.709 casos confirmados de microcefalia

2016-07-21 noticia

O Brasil tem 1.709 casos confirmados de microcefalia, segundo boletim divulgado nesta quarta-feira, 20, pelo Ministério da Saúde. Destes, 267 tiveram confirmação em laboratório para zika. O governo considera que houve infecção pelo vírus na maior parte das gestantes que tiveram bebês com a má-formação.

Também foram registradas 354 mortes por suspeita de microcefalia e/ou outra alteração do sistema nervoso central após o parto ou durante a gravidez. O número representa 4,1% do total de casos notificados.

A região Nordeste tem a maioria dos casos confirmados de microcefalia (1.466), sendo que os Estados de Pernambuco, Bahia e Paraíba lideram em número de confirmações para a má-formação, com 371, 277 e 148 casos, respectivamente. Ainda estão em investigação 3.182 suspeitas de microcefalia.

Anvisa proibe venda de extrato de tomate encontrado com pelo de roedor

2016-07-19 noticia

'Matéria estranha' foi detectada em lote L06 da marca Heinz; segundo a empresa, produto circulou apenas em Minas Gerais e já foi retirado de circulação

SÃO PAULO - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou nesta segunda-feira, 18, a retirada do mercado do lote L06 do extrato de tomate da marca Heinz após detecção de “matéria estranha indicativa de risco à saúde humana, pelo de roedor, acima do limite máximo de tolerância pela legislação vigente”.

Esse foi o resultado de uma análise de contraprova feita pela Fundação Ezequiel Dias (LACEN-MG) que levou a Anvisa a proibir a distribuição e comercialização deste lote específico em todo o País e recolhimento do estoque existente no mercado.

 

Foto: Divulgação
Anvisa proíbe venda de extrato de tomate encontrado com pelo de roedor

A Heinz afirmou 'que adota rigoroso controle de qualidade em todas as etapas da produção, desde a escolha de fornecedores, processo produtivo e distribuição'

 

A Kraft Heinz Brasil, responsável pela marca, informou que já havia sido notificada do problema pela Gerência Colegiada da Superintendência de Vigilância Sanitária de Minas Gerais em julho do ano passado e que este lote estava circulando apenas naquele Estado. “Na ocasião a empresa recolheu as embalagens disponíveis no comércio do lote 06, validade 4/2017, de extrato de tomate da marca, não havendo qualquer contraindicação ao consumo dos lotes presentes nos mercados hoje”, disse por meio de nota.

A Heinz afirmou também “que adota rigoroso controle de qualidade em todas as etapas da produção, desde a escolha de fornecedores, processo produtivo e distribuição final dos seus produtos.”

Histórico. Não é a primeira vez que a empresa enfrenta esse tipo de problema. Em 2013, três lotes de ketchup, importados do México, também foram retirados de circulação pela Anvisa por apresentar fragmentos de pelo de roedor.

Virus mais agressivo da dengue avança no Brasil.

2016-07-18 noticia

Embora a maioria dos casos de dengue no Brasil ainda seja causada pelo tipo 1 da doença, cresce em alguns Estados a circulação do sorotipo 2, o mais agressivo dos quatro vírus existentes. Dados do mais recente boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, com estatísticas de 3 de janeiro até 28 de maio, mostram que, de um total de 2,2 mil amostras positivas para dengue analisadas em laboratório neste ano, 6,4% já são do tipo 2, ante 0,7% no ano passado. No Estado de São Paulo, esse tipo de vírus já é responsável por 13,6% dos casos da doença, ante 0,5% em 2015.

Além de ser considerado por especialistas o mais violento dos quatro sorotipos da dengue, o tipo 2 ainda está relacionado a outro risco no País. Como parte da população brasileira já foi infectada pelo tipo 1, a ocorrência de uma segunda infecção por outro sorotipo aumenta o risco de desenvolvimento de uma das formas graves da doença, que podem levar à morte, como a febre hemorrágica.

Segundo o infectologista Artur Timerman, presidente da Sociedade Brasileira de Dengue e Arboviroses, o risco maior em uma segunda infecção pela doença está relacionado à resposta imunológica do paciente que já contraiu o vírus uma vez. "Como já existem anticorpos contra um tipo de dengue no organismo, há uma reação inflamatória exacerbada, que prejudica o organismo, mas que não consegue neutralizar o novo sorotipo. O risco de desenvolvimento de uma forma grave da dengue é de 15 a 20 vezes maior quando se trata de uma segunda infecção."

O grande número de brasileiros infectados pelo tipo 1 nas epidemias de dengue dos últimos anos é uma das razões que explicam o crescimento dos casos provocados pelo tipo 2, segundo especialistas. "Como o vírus tipo 1 da dengue está circulando há muito tempo no Brasil, já temos muitas pessoas imunes a ele. Quando há o contato dessa população com outro sorotipo, aumenta mesmo o número desses tipos de casos porque há mais pessoas suscetíveis a ele. E uma segunda infecção por dengue tem tendência a uma gravidade maior", explica Marcos Boulos, coordenador de Controle de Doenças da Secretaria Estadual da Saúde.

Além de São Paulo, outros Estados registram circulação do tipo 2 da dengue acima da média nacional. No Pará, 33,3% das amostras analisadas correspondem a esse sorotipo. No Distrito Federal, esse índice é de 26,8% e em Rondônia, de 13,1%.

Interior

Segundo Boulos, no Estado de São Paulo, esse sorotipo está presente predominantemente na região de Ribeirão Preto, no interior paulista. Em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde do município, pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto têm feito a vigilância virológica dos casos de dengue na cidade para estabelecer qual é o porcentual de casos de cada sorotipo.

"O que a gente tem visto é que, do fim do último ano para cá, houve mesmo um aumento dos casos de dengue tipo 2. Dependendo do mês, eles já representam cerca de 25% a 30% dos casos na cidade. Mas não acho que isso seja restrito a Ribeirão. Esse aumento deve estar acontecendo em outras áreas do Estado também", afirma Benedito Antonio Lopes da Fonseca, professor de Infectologia da faculdade e um dos coordenadores do monitoramento virológico no município.

O pesquisador disse ainda que pelo menos uma das sete mortes por dengue registradas neste ano na cidade aconteceu por uma infecção provocada pelo tipo 2 da doença. A paciente apresentava uma doença crônica, condição que aumenta o risco de complicações.

Segundo Boulos, diante do avanço do tipo 2 da dengue no Estado, a Secretaria Estadual da Saúde deverá reforçar com médicos e outros profissionais de saúde as diretrizes de atendimento a pessoas com suspeita da doença. "Todos têm de ficar mais atentos aos sinais de agravamento da dengue. Teremos de pensar duas vezes antes de liberar o paciente."

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Governo da Coreia do Sul faz alerta a turistas que pretendem vir ao Rio-2016

2016-07-14 noticia

O governo sul-coreano emitiu uma alerta de segurança para os turistas que pretendem viajar para o Rio de Janeiro durante os Jogos Olímpicos. O ministro das Relações Exteriores, Yun Byung-se, pediu que os turistas tenham um cuidado extra citando cinco fatores de risco: situação instável de segurança, possíveis ataques terroristas, epidemias, confusão política e econômica e ausência de uma missão diplomática sul-coreana no Rio.

Byung-se fez o alerta após uma equipe do ministério visitar o Brasil na semana passada para investigar possíveis riscos aos turistas. A segurança é o fator que mais preocupa os asiáticos.

“De janeiro a abril deste ano, o Brasil viu um aumento de 15,4% no número de homicídios, 23,7% em assaltos e 19,7% em roubos de carros”, disse o ministro. Byung-se também se mostrou preocupado com o fato de o Estado Islâmico poder realizar um ataque terrorista durante os Jogos.

O Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Sul teme ainda que pessoas infectadas pelo vírus zika possam enfrentar dificuldades para receber tratamento adequado nos hospitais brasileiros.

A Coreia do Sul não possui atualmente uma missão diplomática no Rio, mas o governo planeja montar um consulado temporário com funcionários dos Ministérios das Relações Exteriores e de Saúde para prestar assistência aos coreanos que visitem o Rio durante os Jogos Olímpicos.

O Brasil vai encolher com a zika?

2016-07-13 noticia

Quando estudos científicos comprovaram pela primeira vez a associação entre o vírus zika e a microcefalia (malformação cerebral em bebês) no início do ano, uma pergunta tomou de assalto as reuniões realizadas pelos pesquisadores do Cedeplar (Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional), um dos principais centros de demografia do Brasil, vinculado à UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

E se as brasileiras, com medo da zika parassem de engravidar?

Desde então, eles vêm discutindo sobre como a epidemia pode afetar o número de nascimentos e, consequentemente, o crescimento da população brasileira.

"Começamos a discutir o assunto em nossas reuniões periódicas quando a associação entre o vírus Zika e a microcefalia ficou comprovada", diz à BBC Brasil a demógrafa Laura Rodríguez Wong, professora do Cedeplar.

"Ainda não temos dados suficientes disponíveis para determinar se haverá uma redução substancial no número de nascimentos, mas calculo que o impacto poderia ser entre 10% a 15%", calcula.

"De qualquer forma, trata-se de algo difícil de quantificar", acrescenta ela.

Em novembro do ano passado, o então diretor do departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch, aconselhou mulheres de Pernambuco a adiarem os planos de gravidez até que houvesse maior clareza sobre as causas do aumento de casos de bebês com microcefalia no Estado ? o mais atingido pela doença.
O órgão, no entanto, negou que existisse uma orientação do governo brasileiro para que as mulheres evitassem engravidar.

Diferentemente do Brasil, outros países latino-americanos que enfrentam epidemia semelhante, como Colômbia, El Salvador e Jamaica, já fizeram a recomendação.

Em El Salvador, por exemplo, o governo pediu para que as mulheres só voltassem a engravidar em 2018.

Segundo o último informe do Ministério da Saúde, até 25 de junho, foram confirmados 1.638 casos de microcefalia e outras alterações do sistema nervoso "sugestivos de infecção congênita" em todo o país. Outros 3.061 casos suspeitos permanecem em investigação.

Desde outubro do ano passado, 8.165 casos foram notificados ao Ministério da Saúde. Desse total, 3.466 foram descartados por apresentaram exames normais ou por apresentarem microcefalia ou malformações confirmadas por causas não infecciosas, acrescenta o órgão.

Nascimentos

De acordo com o IBGE, em 2014 (último dado disponível), o Brasil registrou cerca de 2,9 milhões de nascimentos.

Sendo assim, com base na estimativa de Wong, do Cedeplar, a doença poderia subtrair do país entre 300 mil a 435 mil crianças.

Caso se materialize, o cenário acentuaria a tendência de encolhimento da população brasileira. Se em 1960, as brasileiras tinham, em média, 6,3 filhos, hoje, esse número é de 1,74, abaixo da taxa de reposição populacional (o número de filhos que uma mulher deve ter para que a população total de um país não diminua nem aumente). Entre 2000 e 2012, o número de nascimentos no Brasil caiu 13,3%.

Mas Wong ainda tem dúvidas se o vírus zika seria o grande culpado pela eventual queda no número de nascimentos no Brasil.

Ela ressalva que os efeitos da crise econômica tendem a ser mais preponderantes do que a doença no encolhimento da população.

"Acredito que a recessão tenha um impacto muito maior no planejamento familiar dos brasileiros do que o vírus da zika. Com menos dinheiro, as pessoas costumam ter menos filhos", argumenta.

Foi o que aconteceu na década de 80, quando o Brasil vivia um período de hiperinflação. Segundo Wong, Estados mais ricos da federação, onde havia maior planejamento familiar, registraram redução no número de nascimentos.

Controvérsia

Já o demógrafo José Eustáquio Diniz, professor da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE) do IBGE, não acredita em um impacto demográfico do zika.

Isso porque, diz Diniz, apesar do pânico gerado pela epidemia da doença, um número significativo das gravidezes ocorridas no Brasil ainda não é desejada ou planejada.

Neste sentido, o adiamento da gestação ficaria, assim, restrito às classes sociais mais bem informadas.

"Muitas adolescentes e mulheres que desejam adiar a gravidez neste momento não contam com o apoio das políticas públicas e nem o SUS é capaz de cumprir seu papel constitucional", diz ele à BBC Brasil.

"São as mulheres mais pobres que sofrem, pois, em geral, não possuem dinheiro para adquirir os meios para evitar a gravidez e nem para arcar com as dificuldades decorrentes de uma gestação indesejada e o risco de microcefalia dos fetos".

Dados da Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS), compilados pelo IBGE, mostram que, em 2006, 57,7% das gestantes brasileiras entre 15 a 19 anos disseram querer "esperar mais" para ter filhos. Já 9,4% afirmaram que "não queriam ter filhos" naquele momento. "Apenas" 32,9% confirmaram o desejo pela maternidade.

Diniz defende ainda que as mulheres tenham direito a decidir sobre se querem ou não prosseguir com a gravidez em caso de microcefalia.

"São as mulheres mais pobres que vão sofrer com a sobrecarga de cuidados dos filhos com a doença e outros problemas neurológicos", conclui.

 

Empresa da Austria planeja testar vacina contra Zika em um ano

2016-07-12 noticia

Uma empresa de biotecnologia da Áustria que trabalha com o Instituto Pasteur disse nesta terça-feira (12) que planeja iniciar testes clínicos com uma vacina experimental para o Zika nos próximos 12 meses, assinalando mais uma aceleração na pesquisa neste campo.

A Themis Bioscience assinou um acordo de licença com o instituto de pesquisa francês concedendo a este direitos amplos a uma potencial vacina contra o Zika que tem como base uma tecnologia já consagrada de vacina contra sarampo.

Mais de uma dúzia de pequenas empresas de biotecnologia e outras organizações estão trabalhando em vacinas contra o Zika, que é transmitido por mosquitos e que foi ligado a defeitos de nascença e problemas neurológicos, embora a maior parte do trabalho ainda se encontre em um estágio bastante inicial.

Erich Tauber, executivo-chefe da Themis, acredita que o projeto de sua companhia irá se beneficiar do histórico de sucesso comprovado da tecnologia usada para imunizações contra o sarampo.

Na semana passada, a farmacêutica francesa Sanofi, a única grande empresa da área trabalhando em uma vacina contra o Zika, fechou um acordo com o Exército dos Estados Unidos para acelerar o desenvolvimento de outra vacina, que pode estar pronta para testes em humanos em outubro.

Autoridades de saúde globais estão se apressando para entender melhor o Zika vírus, que causou um grande surto que começou no Brasil no ano passado e se espalhou em muitos países das Américas.

Vítimas do Zika e abandonados pelo estado

2016-07-11 noticia

Seis meses após o ápice de uma das maiores epidemias já registradas no Brasil, como sobrevivem os bebês infectados pelo vírus e suas famílias

Quando a família de Jennifer Catarine Oliveira da Silva, de 22 anos, soube que seu filho, o pequeno Cauã Vinícius, de um ano e oito meses, nasceria com uma malformação cerebral, todos se desesperaram. Sem informações sobre a complexidade da microcefalia, doença que já acometeu 1.638 bebês em todo o País, ela descobriu no dia a dia as limitações que Cauã desenvolveria e as dificuldades que enfrentaria para criá-lo. Vanessa Amanda dos Santos, de 26 anos, mãe de João Vitor Lino da Silva, de 2 anos e 10 meses, só foi informada de que se tratava da doença causada pelo zika vírus quando o bebê teve convulsões que a obrigaram a levá-lo às pressas ao hospital. Solange de Souza Ferreira, de 40 anos, teve de se mudar de Santa Cruz do Capibaribe para Bonito, a 200 quilômetros de Recife, para conseguir atendimento médico a José Wesley, de nove meses, também com microcefalia. As três mulheres tiveram suas vidas transformadas e hoje fazem parte de um grupo de famílias que enfrentam o abandono do Estado no atendimento às crianças atingidas pela epidemia justamente no epicentro dela, a cidade de Recife. “Os serviços são ineficientes, existem poucos médicos, os diagnósticos demoram e não há espaço adequado às terapias”, diz Michelle Cristina da Silva, coordenadora do Centro de Reabilitação e Valorização da Criança (Cervac).

DIFICULDADE José Wesley teve de mudar de cidade com o irmão (à esq.) em busca de atendimento médico especializado
DIFICULDADE José Wesley teve de mudar de cidade com o irmão (à esq.) em busca de atendimento médico especializado (Crédito:Felipe Dana/ AP Photo )

Apesar de o governo federal ter anunciado no início do ano que mães de crianças com microcefalia teriam prioridade para receber um benefício em dinheiro do INSS, muitas não conseguem a ajuda prometida. Na maior parte dos casos, as mulheres se vêem obrigadas a deixar de trabalhar para dar atenção integral a seus filhos. É o caso de Vanessa, que abandonou o trabalho de diarista para cuidar de Cauã. Ela recebe o benefício de R$ 800 para cobrir as despesas, mas seus custos vão muito além disso. “Ele usa uma cadeira de rodas doada que está ficando pequena. O dinheiro que ganho vai para medicamentos, fraldas e alimentação”, diz. Em fevereiro, o Instituto de Medicina Integral Fernando Figueira (Imip), no Recife, foi equipado para dar atendimento prioritário aos bebês com problemas e alterações relacionadas ao zika. No entanto, mães que procuraram o hospital relataram que não havia vagas para as crianças começarem a fazer fisioterapia, terapia ocupacional e estimulação visual.

Para cobrir os gargalos deixados pelo Estado, uma rede de apoio formada por organizações não governamentais, centros comunitários e entidades privadas sem fins lucrativos estão se mobilizando para oferecer atendimento específico e contínuo às crianças. Para combater a onda da infecção, o Cervac, em parceria com a ONG Visão Mundial, que atua nas regiões mais pobres do País, abriu em janeiro um espaço com 30 vagas para bebês com malformação cerebral que precisam de tratamentos de reabilitação. “O poder público não se preparou devidamente para atender às conseqüências do boom de casos de gestantes infectadas pelo zika vírus”, afirma Rafaela Pontes, gerente de programas sociais da entidade no Recife. “A saúde pública já não funciona bem e, em casos como esses, que exigem acompanhamento regular, é pior ainda.” Os hospitais que prestam atendimento especializado estão localizados na capital, o que impõe a dificuldade do acesso às famílias. Além disso, as terapias são oferecidas apenas uma vez por semana. “No Imip eram só 20 minutos de fisioterapia. É muito pouco para uma criança que não tem movimento nenhum”, diz Maria da Conceição Oliveira Silva, de 40 anos, avó de Cauã.

Para levar Cauã ao médico, Maria da Conceição utiliza dois transportes públicos. E, não raro, quando chega ao hospital não é atendida por uma equipe especializada. “Temos assistência de neurologistas uma vez por mês e em casos de emergência quem dá uma olhada é a pediatra”, diz ela. Vanessa, mãe de João Vitor, também aguarda retorno do Imip para saber se haverá vaga. “Ele não anda, nem fala. Era para ter acompanhamento de fonoaudiólogos e fisioterapeutas, mas ainda estamos esperando uma resposta”, afirma. Enquanto isso não acontece, ele começará a fazer a estimulação pelo programa do Cervac e da Visão Mundial. José Wesley, que até junho fazia exercícios de reabilitação em casa, começou um tratamento com ajuda das instituições. Enquanto isso, aguarda o Estado cumprir seu dever, já que não protegeu sua mãe do zika.

Não ha nenhuma preocupacao com a zika, diz Michel Temer

2016-07-08 noticia

Em mensagem a atletas e turistas, presidente interino, Michel Temer, anuncia as Olimpíadas do Rio-2016 e diz que "não há e não deve haver nenhuma preocupação com nenhuma espécie doença tropical, seja zika ou o que seja".

Veja o vídeo clicando no link abaixo:

http://tvuol.uol.com.br/video/nao-ha-nenhuma-preocupacao-com-a-zika-diz-michel-temer-04028D9C3260C8C95326

Exame de sangue capaz de determinar infeccao pode evitar uso de antibioticos

2016-07-07 noticia

Um exame de sangue barato poderá dizer aos médicos se uma infecção é causada por um vírus ou por uma bactéria, ajudando a prevenir a prescrição indevida de antibióticos, disseram pesquisadores na quarta-feira.

O teste de diagnóstico, descrito na revista científica americana Science Translational Medicine, está sendo desenvolvido pela Escola de Medicina da Universidade de Stanford, na Califórnia.

"Várias vezes você não pode dizer que tipo de infecção alguém tem", disse o autor principal do estudo, Timothy Sweeney, pesquisador no Instituto Stanford para Imunidade, Transplante e Infecção.

Na clínica, uma infecção bacteriana ou uma infecção viral com frequência parecem exatamente iguais."

Timothy Sweeney

O novo teste, que ainda não está no mercado, funciona através da identificação de sete genes humanos cuja atividade muda durante uma infecção, e cujo padrão de atividade pode revelar se uma infecção é bacteriana ou viral.

Até agora, exames desse tipo analisavam alterações em centenas de genes, o que os torna mais custosos, de acordo com os pesquisadores.

A ideia do novo estudo surgiu a partir de uma pesquisa publicada no ano passado que mostrou "uma resposta comum do sistema imunológico humano para vários vírus que é distinta daquela para infecções bacterianas", disse o autor sênior Purvesh Khatri, professor assistente de medicina.

Se pesquisas futuros mostrarem que o método funciona e tem um bom custo-benefício, o exame poderá ser uma ferramenta útil para prevenir o aumento de bactérias resistentes a antibióticos.

Muitas vezes, os pacientes recebem prescrições de antibióticos porque os remédios são baratos.

"Se nós realmente queremos fazer a diferença, o nosso exame tem que ter um custo-benefício melhor que o do próprio medicamento", disse Khatri.

Bactérias resistentes aos antibióticos são responsáveis por dois milhões de doenças e 23.000 mortes por ano nos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, uma em cada três prescrições de antibióticos em instalações médicas no país é desnecessária, de acordo com estudos recentes.

O uso excessivo e inadequado de antibióticos aumenta a resistência de bactérias a estas drogas, e especialistas afirmam que o fenômeno indica um cenário catastrófico onde não conseguiremos tratar diversas infecções.

O novo exame deve ser submetido a ensaios clínicas, uma vez que a maioria das pesquisas até agora tem focado em conjuntos de dados digitais pré-existentes sobre a expressão gênica de vários pacientes.

O teste de identificação de sete genes mostrou resultados precisos em amostras de sangue de 96 crianças gravemente doentes.

Antes do exame poder chegar ao mercado, ele também deve ser incorporado a um dispositivo que pode dar um resultado em uma hora ou menos, disseram os pesquisadores.

Planos de saude terao de cobrir testes para detectar zika a partir desta 4 semana.

2016-07-06 noticia

Os planos de saúde terão de fazer a cobertura de três exames para detecção do vírus da zika a partir desta quarta-feira, 6. A inclusão dos testes foi determinada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que deu um prazo de um mês para que a incorporação fosse realizada.

Inicialmente, a obrigatoriedade de cobertura será direcionada para gestantes, bebês cujas mães tiveram diagnóstico de infecção pela doença e recém-nascidos com má-formação congênita que possa estar associada ao vírus.

Os exames que terão cobertura são o PCR, que consegue detectar o vírus nos primeiros dias da doença e válido somente para os primeiros cinco dias após o aparecimento dos sintomas, o IgM, que identifica a presença de anticorpos na corrente sanguínea, e o IgG, que detecta se a pessoa já teve contato com o vírus. Este último é recomendado para gestantes e bebês que fizeram o teste IgM e o resultado foi positivo.

No caso do IgM, ele poderá ser feito nas primeiras semanas de gestação e repetido ao fim do segundo trimestre de gravidez. Também é indicado para filhos de mulheres que foram contaminadas e recém-nascidos com má-formação relacionada ao zika.

"Esses são os grupos considerados prioritários para detecção de zika por causa de sua associação com o risco de microcefalia nas crianças, quando o cérebro delas não se desenvolve de maneira adequada", informa a agência, em nota.

 

Pesquisa acha virus de gado em bebes com microcefalia no Nordeste

2016-07-05 noticia

  • Vírus encontrado em gado entra em contato com humanos por meio da água contaminada pelas fezes do animal

O surto de microcefalia registrado no Nordeste pode ter outras causas além da contaminação do feto pela zika durante a gestação. Pesquisadores brasileiros encontraram em amostras de fetos com microcefalia provocada pela zika traços de um outro vírus, o BVDV, um agente que até hoje se imaginava afetar rebanhos animais, como bovinos.

Os indícios, embora ainda tenham de ser comprovados com testes mais específicos, foram considerados relevantes pelos cientistas. Por precaução, eles comunicaram o Ministério da Saúde antes mesmo da publicação do trabalho em revista científica, em reunião de emergência feita na semana passada.

A pesquisa foi feita por integrantes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pelo IPESQ, Instituto de Pesquisa Professor Joaquim Amorim Neto. Diante das suspeitas, uma série de medidas foi adotada. A Organização Mundial da Saúde (OMS) foi comunicada e ontem foi realizada uma reunião com o Ministério da Agricultura para avaliar medidas de proteção do gado, caso a hipótese seja mais tarde confirmada.

Um grupo do Ministério da Saúde foi destacado nesta semana para ajudar a estudar o caso. Equipes foram enviadas a campo, na Paraíba, para tentar buscar ligações entre as mulheres que tiveram seus embriões com suspeita de contaminação por BVDV.

Embora intrigados com resultados, pesquisadores que participam do estudo ouvidos pela reportagem mostram-se cuidadosos. Eles dizem ser precipitada qualquer conclusão.

Os trechos do BVDV foram encontrados em três amostras, um número ainda considerado pequeno para fazer alguma afirmação categórica. O grupo agora concentra esforços para fazer o sequenciamento do vírus. Uma tarefa que é cara. Justamente por isso, buscaram auxílio do Ministério da Saúde.

"Essa é uma peça importante dentro desse quebra-cabeças. Nunca foi descartada a possibilidade de que, além do zika, outro vírus estivesse relacionado ao aumento de casos de bebês com problemas neurológicos", disse um integrante da força-tarefa destacada para avaliar o caso, que atua em Pernambuco.

Vírus da família da zika

O BVDV é um vírus presente no rebanho de vários países, incluindo o Brasil. Da mesma família da zika (Flaviviridae), ele causa no gado uma série de doenças, como diarreias e problemas respiratórios. O que chama mais a atenção, no entanto, é a grande quantidade de casos de abortos e de más-formações provocadas por esses vírus no gado. Entre os problemas encontrados, está a artrogripose, uma síndrome que provoca má-formação em articulações, já identificada em alguns bebês com microcefalia.

Foi justamente essa semelhança na forma do ataque do vírus na formação do feto de gado e dos bebês com microcefalia associada ao zika que despertou o interesse dos pesquisadores. Assim como acontece com bebês, a literatura mostra que o impacto do BVDV na formação do feto bovino muda de acordo com o período de infecção.

"Abortos e más-formações são mais comuns no primeiro trimestre da gestação dos bovinos", afirmou o professor do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva da Universidade Federal de Santa Maria, Eduardo Flores. Assim como de humanos, o período de gestação no gado é de 9 meses.

O professor afirma que, embora muito presente no rebanho brasileiro, até hoje não houve relato sobre a transmissão do BVDV para seres humanos. Também não há registros sobre contaminação do vírus no meio ambiente.

Uma das hipóteses de pesquisadores é de que o fato da zika e o BVDV serem da mesma família possa aumentar a possibilidade de interação.

"Talvez isso ajude a explicar a forma como o zika rompe a barreira placentária e ataca o feto", diz um representante do governo de Pernambuco.

Essa interação poderia também ajudar a explicar um fato que intriga autoridades sanitárias e a comunidade científica em geral: por que algumas regiões do Nordeste brasileiro foram muito mais afetadas pela síndrome provocada nos bebês pelo zika do que outros Estados ou outros países?

A resposta ouvida até agora era de que a epidemia de zika em outras regiões do país é muito recente e que, por isso, seria preciso esperar alguns meses até que bebês com a síndrome congênita começassem a nascer.

"O tempo está passando e a epidemia de grandes proporções esperada no Sudeste não está acontecendo", afirmou o representante. O último boletim do Ministério da Saúde sobre a microcefalia mostra que há 1.417 casos confirmados no Nordeste e 106 no Sudeste.

Governo diz que medidas são precaução

O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Alexandre Santos, afirmou que as medidas adotadas até o momento sobre o vírus BVDV são feitas por precaução. "Existem indícios. Técnicos foram enviados para ajudar na investigação. A notificação da OMS faz parte do regulamento sanitário."

Um dos pesquisadores envolvidos no estudo disse que a tarefa, neste momento, é identificar o vírus inteiro do BVDV. "Encontramos trechos de fragmento de genoma. É preciso mais. Seria uma leviandade afirmar de forma categórica que o BVDV está associado à síndrome das crianças."

Casos de infecção do gado provocada pela Diarreia Viral Bovina (BVDV) são identificados no Brasil desde a década de 60. Estudos mostram que o vírus é encontrado em várias partes do país e afeta, principalmente, o gado leiteiro.

"Não é uma doença de notificação compulsória. A vacinação também não é feita de forma regular. O fato é que há muitos rebanhos contaminados", afirma o professor do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva da Universidade Federal de Santa Maria Eduardo Flores.

A contaminação pelo vírus pode acontecer por meio das secreções (como durante a alimentação no cocho) e pelo sêmen. O ponto-chave para o controle da doença está na identificação e no controle de animais portadores do vírus, mas que não apresentam sintomas. "Esses bezerros geralmente são contaminados na última fase da gestação. Eles clinicamente são normais, mas excretam vírus continuamente."

Rebanhos com grande circulação do vírus, disse o professor, trazem grandes perdas reprodutivas. "Abortos, natimortos e más-formações", conta.

Água contaminada

A dúvida de pesquisadores é por que um vírus presente há tanto tempo no país e em outras partes do mundo agora está sendo associado a uma doença tão grave? Há várias hipóteses. Embora até hoje não haja registros de contaminações ambientais, uma das possibilidades avaliadas é de que o vírus entre em contato com humanos por meio da água contaminada pelas fezes do animal. "A região afetada sofre com desabastecimento de água.

Poços geralmente estão próximos de locais onde o gado pasta", disse o pesquisador. Há também a possibilidade do consumo de leite cru. Tais fatores de risco, no entanto, sempre existiram.

"A diferença é que agora entra em cena a zika, que poderia de alguma forma se associar com BVDV", diz um integrante do Ministério da Saúde. "Mas são hipóteses. São necessários ainda estudos para comprovar alguma relação."

Santos afirma que, no momento, não é preciso adotar nenhum cuidado extra. "São as recomendações de sempre: comer carne cozida, usar leite pasteurizado."  

 

E possível pegar zika duas vezes?

2016-07-01 noticia

Um estudo da Universidade de Wisconsin-Madison (EUA), publicado nesta terça-feira (28) na revista científica "Nature Communications", revela que a primeira infecção do vírus da zika causa imunização contra futuros contágios.

A descoberta foi feita depois que os pesquisadores conseguiram infectar, primeira vez, macacos Rhesus, habitualmente usados como cobaias. O experimento --que mostra que os primatas podem ser infectados por zika e, portanto, servem como modelo animal para estudar a doença-- foi reproduzido, num segundo momento, em macacas grávidas.

Elas ficaram imunizadas após a contaminação, mas também notou-se que a gravidez prolonga drasticamente o tempo de permanência do vírus no corpo.

É importante demonstrar em laboratório o que as pessoas têm observado em humanos: que a infecção pelo vírus da zika cessa dentro de cerca de uma semana e que, depois disso, o paciente está protegido de futuras infecções pelo vírus

Emma Mohr, da Universidade de Wisconsin, uma das autoras do estudo

Segundo ela, o que ficou provado no estudo com macacos "é bastante coerente com o que foi observado em pessoas em estudos epidemiológicos". 

A descoberta sugere que o tipo de imunização produzida de forma natural é suficiente. Podemos imitar essa reação com uma vacina e provavelmente teremos sucesso

David O'Connor, autor principal do estudo, em comunicado

Os cientistas infectaram macacos com a linhagem do vírus da zika que está causando a epidemia no Brasil. Eles constataram que, 10 semanas depois, os mesmos macacos já resistiam à mesma linhagem do vírus.

Grávidas em perigo

Por outro lado, o estudo mostrou um claro contraste na duração da infecção em macacas grávidas, em comparação aos macacos machos e às macacas que não estavam grávidas. Embora os animais não-gestantes tenham ficado livres do vírus após dez dias, o vírus persistiu no sangue das macacas prenhas por períodos de 30 a 70 dias.

A infecção prolongada causa impactos severos. Cientistas já haviam comprovado que a zika está ligada à ocorrência de problemas neurológicos em bebês, como a microcefalia.

David O'Connor explica:

Temos boas notícias para a maior parte das pessoas: se você não está grávida e não tem risco de ficar grávida, você nem precisa se preocupar com a zika. Por outro lado, minha preocupação com a zika na gravidez é muito maior agora

Uma possível explicação para a persistência do vírus na gravidez é que o sistema imunológico das mães esteja comprometido demais para eliminar o vírus com a rapidez suficiente. "A outra hipótese é que essa persistência seja um indicativo da infecção no feto e aquilo que observamos na corrente sanguínea da mãe seja a presença do vírus no feto, voltando para o organismo da mãe por meio da corrente sanguínea", disse O'Connor.

Segundo ele, se a segunda hipótese estiver certa, é provável que os fetos tenham uma infecção prolongada, que permanece muito mais tempo do que a infecção da mãe.

Caso se confirme esse processo, proposto pela primeira vez pela obstetra Rita Driggers, da Universidade Johns Hopkins (EUA), ele poderia oferecer uma oportunidade para avaliar os riscos para um feto em desenvolvimento sem recorrer a testes invasivos.

"Se for esse o caso, poderemos medir semanalmente a carga viral presente em uma mulher grávida infectada com o zika. Isso nos forneceria uma indicação de qual é o grau provável de danos ao feto. Se uma mulher grávida for a uma clínica com zika e uma semana depois não apresentar mais sinais da infecção, isso poderia ser uma boa indicação de que o feto provavelmente não será afetado", explicou O'Connor.

Os autores do estudo, no entanto, alertam que ninguém ainda compreende realmente a gama de problemas que a infecção por zika durante a gravidez pode causar aos bebês. "No Brasil, as crianças mais velhas nascidas de mães com zika durante a gravidez têm apenas um ano de idade, aproximadamente. Nós não temos nenhuma ideia se algumas das crianças que são aparentemente normais terão algum problema que só se manifestará em outras fases da vida", disse O'Connor.

Peter Openshaw, da Sociedade Britânica de Imunologia, diz ser importante realizar testes em humanos o mais rápido possível. "Quando a vacina estiver pronta, muitos da população considerada vulnerável já terão sido infectados", explica. "O objetivo da vacinação será, então, proteger quem viaja e aquelas que desejam ficar grávidas. Será vital verificar como as vacinas funcionam nesses casos e como superar as barreiras práticas e econômicas para a aplicação da vacina."

Dengue potencializa zika

Novos estudos sobre os vírus da zika e da dengue mostram que a relação de familiaridade entre eles pode ser também de amor e ódio.

Por um lado, dois anticorpos específicos contra a dengue se mostraram capazes de, potencialmente, também neutralizar a zika, indicando a possibilidade de desenvolvimento de uma vacina capaz de proteger contra as duas doenças simultaneamente.  

Por outro lado, viu-se que muitos dos outros anticorpos gerados nas pessoas infectadas com dengue acabam, na verdade, favorecendo a replicação do zika, o que traz novas pistas que podem indicar por que a epidemia de zika se espalhou tão rapidamente em um país que já vinha sofrendo com surtos de dengue.  

Os trabalhos, publicados na quinta-feira (23), nas revistas "Nature" e "Nature Immunology", podem parecer contraditórios à primeira vista, mas na prática eles jogam luz sobre a complexa relação da família dos flavivírus, da qual fazem parte os dois vírus, e também na imunologia.  

Essa era uma suspeita que pesquisadores brasileiros já tinham há muito tempo e o efeito já é conhecido com a dengue. Acredita-se que ele explique por que, quando uma pessoa é contaminada pela dengue uma segunda vez, a infecção muitas vezes é mais séria do que a primeira. (Com agências)